FERNANDO LARCHER / SÃO JORGE DA MINA NO FINAL DO DOMÍNIO PORTUGUÊS. SOB FILIPE III 1621-1640

 

FERNANDO LARCHER

SÃO JORGE DA MINA

NO FINAL DO DOMÍNIO PORTUGUÊS

Sob Filipe III

1621-1640

através da cronologia

                1621

15 Set.- é nomeado colector apostólico em Portugal Antonio Albergati[1]

                1622

Jan. – Escreve Manuel Severim de Faria:

“O Senhorio que os Reys deste Reyno tem em Guiné (em que se incluem os Estados de Cabo Verde, Mina, S.Thomé, Angola e parte do Congo) foi primeiramente concedido aos Reys de Portugal por huã Bulla do Papa Martinho 5º, e depois por outras de Eugenio 4º, Niculao 5º, Sixto 4º e Leão Xº, nas quaes dizem os Summos Pontifices que daõ o dominio daquelas terras a esta Coroa, com condiçaõ que os Reys della proueiaõ de Sacerdotes, e Ministros do Euangelho que bautizem, e ensinem nossa Santa Fee aos naturaes da terra, encarregandolhe sobre isso suas consciencias, como se vee do theor de todas ellas. E por o mesmo respeito deraõ tambem aos Reys o padroado de todas as Igreias daquellas Prouincias, e os dizimos dellas applicaraõ á Comenda Mestral da Ordem de Christo pera mais largamente acodirem os Reys a estes gastos, o que por ser notorio, e largo de referir, se naõ aponta com as mesmas palauras das bullas Apostolicas. [2]

[…]

O primeiro lugar que os Portuguezes pouoaraõ na Costa da Guiné foi a Mina, no anno de 1482. E nelle se fes a primeira oregação, como a dá a entender Ioaõ de Barros, […]. E com auer isto 139 annos, não há mais naturaes christaõs, que os de tres ou quatro Aldeas, que estaõ iunto das nossas fortalezas da Mina e Axem, sendo o destricto deste gouerno grande, que passa de duzentas legoas.”[3]

E mais adiante afirma:

“Deste dinheiro se ordenará ao Reytor da Uniuersidade que faça acomodar huãs casas competentes pera este Collegio [o Seminario ordenado pelo Decreto do Concílio Tridentino, na sessão 24 de Reformatione] (que em Coimbra naõ faltaõ) e que faça prouizaõ dos moueis necessarios, e de algum deposito do rendimento dos primeiros dous annos; o que feito se deuem mandar trazer dos destrictos do Cabo Verde, Mina S.Thomé e Angola, sincoenta ou cem moços escolhidos pellos Bispos, Gouernadores, ou Religiosos a quem Sua Magestade encomendar esta diligencia, os quaes nesta escolha elegeraõ os que forem mais habeis, e mais nobres, e principalmente os filhos e parentes daquelles Regulos, que todos elles os daraõ pera este effeito com muita facilidade, como se iá uio nos que os Reys de Congo Dom Ioaõ e Dom Affonso cá mandaraõ antigamente, e nos que agora deraõ os Reys da Serre Leoa e terra firme do Cabo Verde ao P.e Balthezae Barreira, nestes annos proximos que lá andou.”

 

 

                Fundação da Propaganda Fide, VII, 96

1622

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Antonio Albergati

João Baptista Palotta

Fabio, bispo de Consano

Lourenço Tramali

Alessandro Castracani, bispo de Nicastra

 COLECTORES APOSTÓLICOS EM PORTUGAL[4]

Entre 1622 e 1637

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                1622 – Ataque holandês sem êxito a S.Jorge da Mina

1622 – O novo governador da Mina, D.Luís Tomé não chega a embarcar para a fortaleza

1623

21 Fev.- Análise do requerimento do governador da Mina pedindo provimentos para enviar às missões da fortaleza da Mina, na qual se refere:[5]

“Por parte do gouernador da Mina se aduirte que o prinsipal prouimento que uai áquella fortaleza, saõ uinhos e hé costume mandaremse todos os annos.

Farinha para as ostias, sera pera se selebrar~e os oficios deuinos, azeite pera a lampada do Santissimo Sacramento.

Hé neçessario mandarse h~u cleriguo, porque já de lá se pedio, porque os que lá estauaõ facauaõ muito doentes á partida dos ultimos nauios que della uieraõ, que uai em tres annos e hé muito posiuel que estaiaõ sem quem comfesse e administre os Sacramentos.

[…]”

23 Fev. – Parecer do Conselho, datado de Lisboa, dando resposta ao pedido do Governador da Mina (vide 1623, 21 Fev.) para que se enviem objectos de culto e um clérigo à fortaleza da Mina[6]

4 Ago. – Carta delRei ordenando que seja enviado à Mesa da Consciência e Ordens um papel enviado por Antonio Colaço, procurador das prouincias da Companhia de Jesus, sobre o modo em que se poderiam enviar religiosos a Angola, Congo, Serra Leoa, Mina, São Tomé e outras partes da Costa da Guiné[7]

7 Out. – Despacho ordinario ao qual foram enviadas três consultas da Mesa da Consciência e Ordens, uma das quais sobre os religiosos da Companhia de Jesus que hão-de ir a Angola e outros lugares da Costa da Guiné[8]

 

1623 – A partir de Axém os portugueses fazem uma expedição pelo rio Ankobra fundando a 15 milhas da costa um forte em Duma

Urbano VIII

Ago.1623-Jul.1644

1624

26 Jul. – Carta do Pe Sebastião Gomes, S.J., em que afirma ter sabido com segurança por ingleses que neste ano de 1624 iam naus holandesas poderosas povoar a Serra Leoa para dali impedirem todas as navegações. Referindo-se às consequências escrevia: “por terra podem fazer muita guerra a Mina por ficar muito perto da Serra polla terra dentro, e a terra em si facil de andar.” (in Descrição da Serra da Leoa, p.364)

 

1624 – D.Francisco de Soto Maior é nomeado capitão do castelo da Mina

 

1624 – os holandeses assinam um contrato com o rei de Fanti, Ambro Baffo

1625

25 Out. – as tropas holandeses sofrem um desastre em S.Jorge da Mina contra ao portugueses que contam com o apoio de três companhias asafo da vila satélite da Mina

Vide in MNA, v.VII, p.389-393, a:

 Relaçam da /

Milagrosa Victoria /

 que Alcansov Dom Francisco Sovto/

Mayor, gouernador da fortaleza de S.Jorge da Mina contra osn rebeldes/

, & inimigos Olandeses, de dezanove naos, o anno de mil seiscentos/

& vintecinco, aos vintecinco de Octubro, Sabbado, dia dos /

Também publicada in Quadro elementar…, XV, p.115-s

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1625, 26 Out.-5 Nov.- Os holandeses permaneceram defronte dum desambarcadouro perto da fortaleza

 

1625, 5 Nov.- os holandeses recomeça a bombardear a fortaleza sem sucesso

 

1625, 14 Nov.- os holandeses partem para uma sua fortaleza em Bonirem

                1625, 29 Nov.- a armada holandesa regressa à Flandres

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1625    >       57

1632    >    115

HOMENS PERMANENTES EM S.JORGE DA MINA

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                >1628 – Os holandeses fortificam-se na ilha de Bezeguiche

 

1628 – é dado um regimento a Cosme Couto que leva socorro à Mina

                1629

25 Dez. – data duma carta holandesa feita em Mori, hoje na Biblioteca real de Haia, colecção Leupen, carta 743

1630

1 Abr.- dá-se a Cosme Couto para o socorro à Mina e a Axém, o mesmo regimento que já levara em 1628.[9]

2 Abr.- decreto do Governo do qual consta que se está fazendo prestes um religiosos da Ordem de Cristo para ir à Mina, para ali administrar os sacramentos e se manda que o conselho ordene que se lhe faça “o gazalhado, e se lhe desse o mais que se costuma para sua embarcação. E assy se passassem os despachos necessarios para na Mina se lhe pagarem suas ordinarias na forma costumada. E os despachos se podia fazer com os nomes em branco, para se porem logo que chegar auizo do Prior de nossa Senhora da Luz, o nome do Religiosos de que se tem mando do saber.” (cfr.consta do parecer infra referido de 1630, 4 Abr.)  (vide 1630, 11 Abr.)    MMA, v.VII, p.617

4 Abr. – Do parecer sobre vencimentos a pagar ao sacerdote a enviar à fortaleza da Mina, na sequência do decreto supra referido (2 Abr.), consta:

“Reçebendosse o dito decreto se mandou logo fazer diligencia nos liuros deste Conselho sobre se ver se auia exemplo de alg~us Religiosos ou Saçerdotes que foraõ seruir á Mina, do que se lhe deu para seu apresto da jornada.

E pello registo que vay com esta consta mandarse dar no thezoureiro da Casa da India ao Saçerdotte Manoel Christouaõ, que foj á Mina por Capelam da jgreja daquela fortaleza, 20$000 reis adiantados, que hé a metade do ordenado que auia de auer.

E porque o ditto registo daclara que se lhe mandauaõ pagar os dittos vinte mil reis sem embargo da ordem que há em contrario, e V.Magestade por carta sua de 16 de Março deste anno, em reposta de huã consulta que por este Conselho se fez sobre Dom Manoel Pereira que vay por Gouernador do Reyno de Angola, pedir ajuda de custa e que se lhe paguem mil ++.dos [cruzados] adiantados´á conta de seu ordenado, XXX ”

AHU – Cód.476, f.71-71v. Transcrito in MMA, v.VII, p.617-618, doc.233

 

11 Abr. – Parecer do Conselho sobre a consulta da Mesa da Consciência e Ordens sobre Gaspar Lopez, clerigo Presbítero, e fr.Julião dos Santos, freire professo da Ordem de Cristo que se embarcam para a Mina para administrar os sacramentos. Dá-se ordem sobre a embarcação, gasalhos e regra do navio em que vão. No que toca a ajudas de custo o conselho diz não ter competência para tal.

Em despacho à margem, da mesma data, D.Diogo manda dar a cada um 15.000 réis para se proverem dos livros e mais coisas necessárias para o Ministério a que vão.[10]

13 Jul. – Consulta sobre uma petição do Procurador Geral da OC para que se proponham sujeitos da OC para as prelazias ultramarinas   .MMA, v.VII, p.632-633

1631

12 Fev. – Carta da Propaganda Fide ao Colector Apostólico para que o Vigário da Mina envie relatório permonorizado sobre o estado religioso e necessidades espirituais, bem como dos legares da sua jurisdição.[11]

25 Fev. – Súplica dos Vigários da Mina ao Papa, pedindo ao Papa certos privilégios já anteriormente concedidos aos carmelitas, por estar afastado o bispo[12]

14 Jun.? – Relação da Costa da Mina, na qual o Colector Apostólico relato, informado pelo antigo Governador, o mau estado religioso da Jurisdição Eclesiástica de S.Jorge da Mina e propõr remédios  MMA, v.VIII, p.44-46

20 Set. – Carta da Propaganda Fide ao Colector em Portugal. Pretende-se enviar missionários para a Mina. Faculdades especiais a conceder ao Padre Vigário[13]

 

1 Nov. – Carta do Colector Apostólico ao Cardeal Bórgia sobre o envio de missionários para a Mina[14]

 

1632

27 Mar. – Trata de um breve pontifício para a Vigário da Mina  VIII, p.165-166, doc.31

4 Maio – Carta régia de nomeação, por três anos e mais o que El-Rei entendesse por bem, de Pedro Mascarenhas como governador da Mina[15]

13 Out. – Relatório do Vigário da Mina à Propaganda Fide, datado da Mina, em que aborda a cristandade dos arredores da Mina, a superficialidade do cristianismo dos habitantes dependentes da fortaleza, os ritos e superstições de gentios e cristãos e os esforços vãos dos governadores portugueses contra os feiticeiros[16]

 

1632 – Relação da Cristandade da Mina  Bcasanatense – Roma, Ms.2681, f.130-132v. Transcrito in MMA, v.VIII, p.214-217

 

1633

23 Abr. – Consulrta de Estado sobre o socorro a enviar à Mina a pedido do Governador Pedro de Mascarenhas[17]

30 Abril – Apreciação do relatório do Vigário da Mina, situação religiosa da fortaleza e abandono por parte dos portugueses, sem ânimo para a recuperação do comércio[18]

24 Jun. – Carta régia a Francisco de Lucena, referente à Consulta do Conselho de Estado de 23 de Abril, sobre o socorro a enviar à Mina, a pedido do governador Pedro de Mascarenhas[19]

29 Ago. – Referência ao relatório sobre os povos da Mina e pedido de notícias pormenorizadas ao Colector Apostólico em Portugal[20]

 

1634

8 Mar. – Carta régia, enviada de Madrid, ao Conde Vice-Rei sobre o socorro a enviar à Mina a pedido do Governador Pedro Mascarenhas e sobre uma caravela que vindo de S.Tomé par esta praça fora tomada por um capitão francês[21]

14 Mar. – Consulta do Conselho de Estado sobre a carta Governador da Mina, Pedro de Mascarenhas

24 Set. – Carta do governador de S.Tomé, Lourenço Pires de Távora, a El-Rei em que aborda o Estado da fortaleza da Mina, em que dá notícia do falecimento de Pedro de Mascarenhas e da sua substituição por Frei Duarte Borges, professo da OC[22]

10 Out. – Carta do capitão-mor da Mina, André da Rocha Magalhães, a El-Rei dando conta do estado da fortaleza, da partida de Manuel de Barros com informações, da deterioração dos vinhos com excepção dos da Madeira, da ronda dos holandezes à fortaleza e do envio de roupas da Índia para com elas pagar aos soldados[23]

5 Nov. Manuel de Bairros, soldado da Mina, chega a S.Tomé vindo daquela fortaleza a bordo duma nau ingleza para dar avizo do estado da fortaleza[24]

1635

5 Jan. – Carta em que o governador de S.Tomé dá conta a El-Rei da morte do governador da Mina Fr.Duarte a quem sucedeu André da Rocha Magalhães que servira de Alcaide mór nela “com cuya eleiçaõ me auizaõ se vaõ melhorando algumas desordens que no gentio se hiaõ ateando:”, acrescentando “mas sobre tudo se requer a V.Magestade, acuda á dita fortaleza com o seu auxílio.”[25]

1637     S.Jorge da Mina é conquistada pelos holandeses

 

 

 

 

 

 

 

S DA MINA

ESCRIVÃES DA MINA

 

 

 

 

 

 

ANDRÉ DA ROCHA MAGALHÃES

Capitão-Mor e Governador da Mina em 1634

Por morte subita do Vigário Frei Duarte Borges, em Outubro? de 1634, que assumira o governo da fortaleza da Mina, pelo curto espaço de três meses, na sequência da morte do governador Pedro Mascarenhas, André da Rocha Magalhães, que fora criado de Pedro de Mascarenhas, é eleito para o governo da Mina. A notícia chega ao governador de S,Tomé levada pelo soldado Manuel de Barros a bordo de uma nau inglesa qua aporta à ilha em 5 de Novembro de 1634. Conhece-se uma sua carta de 10 de Outubro a D.Filipe, dando conta de ter sucedido no governo da Mina “cõ aplauzo de todo o pouo della”, do envio de notícias através de Manuel de Barros, e da ameaça dos holandeses (doc.74). Esta carta é por certo a que acompanhou a da Princeza Margarida de 7 de Março de 1635, e que era acompanhada de três cartas do Governador de S.Tomé, cuja recepção o monarca acusa em carta de 7 de Abril seguinte, na qual pede a indicação de pessoas para o cargo de governador. Em carta de 17 de Março de 1635, datada de Lisboa, Luis Galvão de Lemos, com base em informação de Manuel do Basto, que foi condestável da Mina, considera-o “pesoa insufficiente para o cargo que administra; a qual informaçaõ me deraõ outros homens que uieraõ da ilha de San Thomé.”, num contexto em que a fortaleza “está muito arriscada”. Em 2 de Março de 1635, André da Fonseca, agora regressado da Mina, informa “Que a pessoa que hora fica gouernado hé de satisfaçaõ. Que foi daqui com Pero Mascarenhaz e elle o tinha feito capitaõ mor e que sahio elleito pella gente da fortaleza.” (doc.80)

Em 1635 Filipe III nomeia governador Francisco de Mello de Castro.

 

 

v.VIII, doc.    83, 85

 

MANUEL DE BARROS

Soldado da Mina que aportou na ilha de S.Tomé em 5 de Novembro de 1634 numa nau ingleza que passara na fortaleza da Mina e ia para Londres, para levar notícias da situação aí existente, onde o Alcaide mór André da Rocha Magalhães substituira o governador Fr.Duarte Borges falecido subitamente. O Governador Rocha Magalhães refere-se-lhe em carta de 10 de Outubro dizendo “que estaua seruindo a V.Magestade nesta fortaleza, e o tem feito em outras occaziões de perigo, em as quais mostrou nuito animo, e nesta o fez cõ o mesmo, leuado só do interesse de naõ hauer nenhuã em que deixase de mostrar a uontade que tinha de se empregar no seruiço de V.Magestade,[…]”

Em S.Tomé informa o governador Lourenço Pires de Távora, ignorando-se se levou pessoalmente as notícias a el-Rei como parece ser intenção de André da Rocha na sua carta de 10 de Outubro.

 

FONTE: Carta do Governador de S.Tomé a D.Filipe III, datada de S.Tomé 24 de Setembro de 1634. AHU, S.Tomé, cx.1, doc.nº112

 


[1] Bolonha ,16 Set.1566 – Roma, 13 ou 14 Jan.1634. Foi anterirmente núcio em Colánia, função para a qual fora nomeado em 26 de Abril de 1610.

Colector em Portugal, de 1621 a 1624, fez para a Propaganda Fide uma crítica ao padroado português. Os relatórios originais em língua portuguesa que recolheu encontram-se hoje no Cod.Corsiniano 495-39-B-4. A seu respeito Dizionario biografico degli Italiani, v.I, Roma, 1960, p.615-617

[2] Apontamento de Manuel Severim de Faria sobre a fundação de seminários para a Guiné in ARHM – Salazar y Castro, ms.B-4, f.95-105v. Transcrito in MMA, v.IV, 2ªsérie, p.666-669, maxime p.667, doc.172.

[3] Idem, maxime p.668.

[4] Datando a sua instauração regular em Portugal a partir do reinado de D.João III, vão desempenhar um papel importante no período da união pessoal dada a ausência de núncio, que apenas existe em Madrid

[5] AHU, S.Tomé, cx.1, doc.75. Transcrito in MMA, v.XV, p.507, doc.189

[6] AHU, Cód.35, f.52v. Transcrito in MMA, v.VII, p.96

[7] ANTT, Mesa da Consiência e Ordens, liv.26, f.131. Transcrita in MMA, v.VII, p.134, doc.42

[8] ANTT, Mesa da Consciência e Ordens, liv.26, f.140v. Transcrito in MMA, v.VII, p.134, nota

[9] AHU, Cód.376, f.67v.

[10] AHU, Cód.476, f.83. Transcrito in MMA, v.XV, p.564, doc.206

[11] APF – Lettere Volgari, v.12, f.15. Transcrito in AMM, v.VIII, p.107, doc.23

[12] APF – Memoriali, v.391, f.36 e 45v. Transcrito in MMA, v.VIII, p.4-5, doc.2

[13] APF – Lettere Volgari, v.11, f.107-107v. Transcrito in MMA, v.VIII, p.60, doc.13

[14] APF – SRCG, v.74, f.316-316v. Transcrito in MMA, v.VIII, p.82-83, doc.15

[15] ANTT, Chancelaria de D.Filipe III, liv.26, f.78-78v. Transcrito in MMA, v.VIII, p.303-305, doc.73

[16] APF – SRCG, v.103, f.85-86. Transcrito in MMA, v.VIII, p.185-187, doc.38

[17] Referida na Carta régia de 24 de Junho, ref.infra

[18] APF – SRCG, v.103, f.84-84v. Transcrito in AMM, v.VIII, p.223-224

[19] BNM, Ms.3.014, f.274-274v. Transcrito in AMM, v.VIII, p.235-236, doc.52

[20] APF – Acta, v.8, f.293. Transcrito in MMA, v.VIII, p.247, doc.57

[21] BNM – Ms.3.014, f.277. Transcrito in AMM, v.VIII, p.257

[22] AHU – S.Tomé, cx.I, doc.nº112. Transcrito in MMA, v.VIII,p.303-305, doc.73

[23] AHU – S.Tomé, cx.1, doc.nº111. Transcrito in MMA, v.VIII, p.306-308, doc.74

[24] Cfr. referido em carta do Governador de S.Tomé, Lourenço Pires de Távora, de 5 de Jan., ref.infra

[25] AHU – S.Tomé, cx.I, doc.nº112. Transcrito in MMA, v.VIII,305

[26] Paulo Freire de Noronha foi nomeado governador de S.Tomé por carta régia de 20 de Fevereiro de 1668, e chamado ao reino em 1671 ainda antes de concluir o seu tempo.

[27] BNP, Fonds portugais, v.25, f.89-90v. Transcrito in MMA, v.XIII, p.153-159, doc.65.

[28] O Padre António Brásio, AMM, v.XIII, p.158-159, transcreve uma Rellação das praças que as Naço~es occupaõ na Costa da Mina, com a indicação do número de saldos e de peças de artilharia. Inclui nas Nações a Holnda, a Inglaterra e a Dinamarca..

FERNANO LARCHER / S.JORGE DA MINA AO TEMPO DA INTEGRAÇÃO NA DIOCESE DO FUNCHAL

 

FERNANDO LARCHER

S.Jorge da Mina ao Tempo da Integração na diocese do Funchal

(Jun.1514-Nov.1534)

através da cronologia

 

1514, 3 Nov.- Bula criando a diocese do Funchal

                1515, 10 Jan. – bula Preclara tue celsitudinis[3] relembrando a faculdade e o privilégio concedidos ao vigário da Igreja da Conceição pela bula de 7 Ago.1513

 

1515 – O forte de Axem muda de lugar

 

1516, 18 Jan.- Breve de Leão X ao bispo do Funchal concedendo-lhe que possa mandar benzer por seus Vigários as vestes sacerdotais e outras vestimentas eclesiásticas nas partes da Etiópia e Guiné, como lhe fora concedido para as Índias.[4]

 

1516, 26 Jun.- Carta de D.Manuel I ao Vigário da Conceição de Lisboa, Fr.Francisco Rebelo,  sobre o baptismo dos negros chegados a Lisboa nas caravelas   MMA, v.II, 2ª série, p.122-123, doc.37

 

Bula “Constanti Fide” de Leão X concedendo aos Reis de Portugal

 o padroado dos mestrados das três Ordens Militares

1516, 30 Jun.

 

1516, 15 Jul.- Alvará de D.Manuel concedendo ao Vigário da Conceição um cruzado de oiro pelo ofício de baptizar os escravos negros chegados a Lisboa das partes da Guiné     MMA, v.II 2ªsérie, p.129-131, doc.39

 

1517 – Sg.uma informação proveniente de Veneza, neste ano, “Todos os anos vão 12 barcos, um por mês, à Mina Velha[5], onde está o castelo de S.Jorge, de que trazem 10 a 15 mil ducados de ouro e pó.”

 

1518, 23 Abr.- Mandado de Fernão Lopes Correia, capitão e governador da Mina ao Feitor Manuel de Sande para dar 400 reis para feitio de umas cortinas que aquele mandou fazer para dois altares “desta see”.[6]

 

1518, 13 Ago.- Mandado de Fernão Lopes Correia, capitão e governador da Mina ao Feitor Manuel de Sande para dar ao vigário Rui Pires várias vestimentas, por as antigas se terem gasto no serviço “desta see”.[7]

 

1518, 8 Out. – Carta de Fernão Lopes Correia ao monarca, em que refere vários aspectos da Mina e pede autorização para se retirar para o Reino[8]

 

1519

 

8 Fev. – Regimento do trato de S.Tomé em que se trata no final do envio de escravos e mercadorias para a Mina r das viagens da Mina para os Rios em resgate[9]

 

30 Jul. – Proibição de entrada na fortaleza a qualquer piloto ido do reino, excepto em dia de feira ordenada[10]

 

4 Ago.- Fernão Lopes Correia, capitão e governador da Mina manda dar a Sem, meirinho do Rei dos Acaves, uma cabra de dois pesos[11]

 

26 Set. – Mandado de Fernão Lopes Correia ao Feitor da Mina Manuel de Sande para que dê um pintado, uma aljarabia e uma caldeira ao Rei novamente proclamado em Acomane.[12]

 

26 Set. – Mandado de Fernão Lopes Correia ao Feitor da Mina Manuel de Sande para que compre um cobertor de papa para oferecer ao Rei de Futo, a quem manda visitar.[13]

 

fim Set./ início Out.- Duarte Pacheco Pereira assume as funções de capitão e governador da Mina para que fora nomeado. O seu governo, como o do seu antecessor é marcado por regulares ofertas aos reis e principais nativos.

 

3 Out. – Carta de Duarte Pacheco Pereira ao Feitor da Mina João de Figueiredo, mandando entregar certos objctos aos reis de Acomane, Afuto e Ampiar, a quem manda visitar.[14]

 

20 Nov. – Mandado de Duarte Pacheco Pereira ao Feitor da Mina João de Figueiredo, para que compre duas cabras para oferecer ao pregoeiro do Rei dos Assans e a outros cavaleiros mercadores que com ele vieram.[15]

 

10 Dez.- Mandado de Duarte Pacheco Pereira, capitão e governador da Mina, ao Feitor João de Figueiredo para dar ao purgueiro do Rei de Assans e a dois dos seus filhos, sete varas e meia de lenço naval e três bacias[16]

 

1520

20 Mar.- Carta de D.Manuel aos oficiais da Mina, proibindo comerciar escravos com homens brancos de qualquer qualidade, excepto com os feitores régios[17]

7 Maio – Mandado de Duarte Pacheco ao Feitor da Mina para que entregue a João Vieira que envia como embaixador ao rei dos Asas vários objectos.[18]

8 Maio – Mandado de Duarte Pacheco ao Feitor da Mina para que dê dpois pesos e meio por uma cabra que manda dar a Nypa, irmão do rei dos Acanes.[19]

Apresentação do Vigário de São Jorge da Mina pelo Monarca

a partir de Julho de 1520

 

6 Jul. – Carta de D.Manuel nos termos da qual a apresentação do vigário de São Jorge da Mina deixa de caber ao Dom Prior e freires do Convento de Tomar para passar para o Monarca: (vide cartas confirmatórias infra 1523, 3 Dez. e 1560, 5 Dez.)

“E por lhe na dita Cidade termos per nosso regimento[20] ordenado bom premio lhe punhaõ de pensçaõ nelle trinta mil reis cadano pera aiuda do gasto da çera do ditto Convento, e outras despezas meritorias, e de serviço de Deos e nosso e bem do ditto Conuento, pella qual pençaõ que os dittos Vigairos pagauaõ, temos sabido que se naõ achaõ saçerdotes letrados e de bons exemplos e custumes pert~ecentes pera pregar, e dar bons jnsinos, como se acharem se o ditto Ordenado leuassem liuremente sem pagarem delle pençaõ alguã. E dezeiando nós que na na dita Cidade estem sempre Vigairos letrados que façaõ fruto na jgreia, e conuersação dos da terra e que preguem &ª. Ouuemos por bem e seruiço de Deos e nosso ordenar e mandar pagar ao ditto Conuento pera a ditta sera, vinte mill reis cadano, comtanto que o ditto Dom Prior e freyres desestiss~e da aprezentaçaõ da ditta Vigairia, e ficase a nós pera a darmos, sem pençaõ nhuã, a Religiosos letrados e pregadores, como ditto hé, […].[21]

7 Jul.- Mandado de Duarte Pacheco Pereira, capitão e governador da Mina, ao feitor João de Figueiredo para dar um pintado ao rei de Comânia[22]

7 Jul.- Mandado de Duarte Pacheco Pereira, capitão e governador da Mina, ao feitor João de Figueiredo para dar ao rei de Comânia quinze pesos de ouro por cinco cabras e um porco e que pagasse dois mil e duzentos réis por uma cadeira de espaldas e quatro caixas de marmelada, para o mesmo Rei.[23]

8 Ago.- Carta de Duarte Pacheco Pereira ao Feitor da Mina para que dê duas varas e meia de lenço nabal para uma braga que manda dar a um cavaleiro de Afuto[24]

8 Ago.- Cartade Duarte Pacheco Pereira ao Feitor da Mina para que dê de presente vários objectos aos reis dos Acames e dos Abermus[25]

 

D.João III

1521-1557

                1522

Adriano VI

Jan.1522-Set.1523

 

1522, Jun.ou Jul. – Duarte Pacheco Pereira é prezo e transportado para Portugal, sendo substituído por Afonso de Albuquerque (filho)

 

1523

Adriano VI concede a D.João III o privilégio de

 administrador e governador apostólico vitalício da OC

1523, 19 Mar.

                 13 Out. – Carta de D.João III ao capitão da Mina, D.Afonso de Albuquerque, datada de Tomar, dando conta de ter sido informado do excessivo rigor deste com os cavaleiros da “nossa alldea da Mina”, que em virtude disso se despovoa, e aconselhando-o a defender, ensinar e amparar os naturais para evitar perdê-los e ao seus serviço.[26]

Clemente VII

Nov.1523-Set.1534

3 Dez. – D.João III confirma a Carta de D.Manuel de 6 de Jul.1520 (vide supra) em que desliga a Vigararia da Mina da Jurisdição de Tomar[27]

1527 – Construção do Forte de São Sebastião, na moderna Shema

1529

4 Fev. – Carta régia nomeando Estevão da Gama capitão da Mina[28]

8 Fev. – Regimento do Capitão da Mina[29], Estevão da Gama, do qual

> no Capítulo I se afirma que na cidade devem estar continuadamente 56 pessoas, dentre as quais um vigário e 3 capelães

> e dois capítulos dizem respeito a matéria religiosa:

Capítulo X, De como o capitão terá cuidado de prouocar os negros a serem christãos, e do que ensinará o Vigairo, e do salario que por isso hauerão

Capitulo XI, Que o uigario, e capellães tenham a Igreia ornamentada do que comprir

 

 

8 Fev. – Regimento do Feitor da Cidade da Mina[30], do qual diz respeito a matéria religiosa:

“Cap.12º Dos ordenados que an-de haver per anno o capitão, offiçiaes e moradores da dita cidade

[…]

Primeiramente o capitão haverá per anno outoçentos mil reais, sem outro algum ordenado nem precalças;

[…]

E o vigairo haverá per anno sincoenta mil reais;

E cada hum dos tres capelães haverão per anno, assim, os dous a trinta mil reais cada hum , e hum a quarenta mil reais sendo capellão meu;

E o feitor haverá em cada hum anno cento e sincoenta mil reais;

[…]

 

Cap.34º Que tenha cuidado dos meus escravos que sirvirem na dita cidade.

Outrossi mando ao dito feitor, que tenha bem cuidado do provimento dos meus escravos, que à dita cidade vierem para o resgate […]; e muito melhor terá cuidado de o fazer a quasquer dos ditos escravos que forem christãos e bons sirvidores, per os outros per seus exemplos terem vontade de ser taes.

[…].”

 

 

 

8 Fev.- Regimento que pertence ao almoxarife dos mantimentos e tercena[31]

 

 

 

________________________________

Primeira Parte

Treslado do Livro dos Regimentos por onde se há de Reger, Capitão, Feitor, e Officiais da Cidade de São Jorge da Mina no qual estão os Capitulos seguintes

Cap.1º Do número dos offiçiaes e moradores que haverá na dita cidade

Cap. 2º Que os moradores da dita cidade, pera comprimento do número ordenado, na de ser meus criados, e da maneira que han de levar meus alvarás, eles e os offiçiaes naturaes do Reyno

Cap.3º Da maneira que o capitão terá com os offiçiaes e moradores quando chegarem à dita cidade, com meos alvarás

Cap.4º Da qualidade e sorte que deve ser o capitão que mandar a dita cidade

Cap.5º Como o capitão fará menagem pella guarda da dita cidade, antes que destes Reinos parta, e então haverá seus despachos

Cap.6º Da maneira que terá o capitão em a sua chegada à dita cidade, e o que aserca disso se fará

Cap.7º Do poder e jurisdição que terá o dito capitão

Cap.8º Da maneira que terá o dito capitão com meus officiaes quando fizerem alg~ua couza ceime

Cap.9º Da ordem que o capitão mandará ter na guarda da porta da dita cidade e da penna que haverão os que forçarem a dita porta, e quem servirá de porteiro e das honras a que o capitão tomará a chave

Cap.10º De como o capitão terá cuidado de provocar os negros a serem christãos, e dos que ensinará o vigairo e do salairo que per isso haverão

Cap.11º Que o vigairo e capellães tenhão a igreja ornamentada do que comprir

Cap.12º De como o capitão tenha cuidado da cura dos doentes

Cap.13º Que o capitão trabalhe sempre por haver boa paz com os negros

Cap.14º Que o capitão defenda que os negros em almadias, nem por outra alg~ua maneira cheguem e falem aos navios que do Reyno vem

Cap.15º Da meira que se terá quando à cidade de Sam Jorge chegarem / os navios que forem do Reyno, e assim da ilha de S.Thomé

Cap.16º Das feiras que o capitão mandará fazer aos que forem nos navios

Cap.17º Que o ouro, que as peçoas dos navios ouverem na feira das couzas, que nella venderem, venha no cofre

Cap.18º Das couzas que o capitão se trabalhará de saber aserca do negros pera mas noteficar

Cap.19º Da maneira que se terá quando mandar fazer obras na cidade

Cap.20º Que peçoa não resgate aos negros couza alg~ua, e a penna que haverá quem o fizer

Cap.21º Que o capitão entenda nas couzas da Fazenda

Cap.22º Do poder que o capitão terá na Fazenda vindo serco à dita cidade

Cap.23º E que o capitão tenha cargo de ver o danificamento da roupa, e da pena que o feitor haverá quando a emprestar

Cap.24º Como, e a que tempo, o capitão se proverá / de gente da ilha Sam Thomé

Cap.25º Do que mandar dar o capitão e qualquer que lhe trouxer hum recado proveitoso

Cap.26º Que o tempo de estada sejão dous annos

Cap.27º Como o capitão ajudará o feitor e offiçiaes ao que lhe requerem per meu serviço

Cap.28º Do balanço que em cada hum anno / se há de fazer nas mercadorias

Cap.29º Do que se fará quando morrerem de peste

Cap.30º Da maneira que se terá se faleçer o capitão

Cap.31º Que o capitão não consinta estar na cidade senão os que levarem meus mandados, e a pena que haverão o capitão e piloto, que os levarem / e assim os guardas

Cap.32º Que nunca tome mareantes das caravelas, senão em çertos cazos, e o salário que então haverão

Cap.33º Das armas que estarão no almazem da dita cidade, e como hão de jugar a barreira e o que haverá quem melhor tirar

Cap.34º Das armas que terão os moradores e / sem ellas não serão assentados

Cap.35º Das quatro molheres, que na dita cidade an-de estar ordenado, e assim da penna, quando alguem tever alg~ua per mançeba, e que se não neguem

Cap.36º Que não sejão tiradas do ordenado, salvo qurendo se vir havendo outras, ou por doença

Cap.37º Que se quiserem vir à dita cidade outras quatro molheres que vão sem ordenado levando meus alvarás

Cap.38º Que quando falleçer algum na dita cidade se faça inventário do que ficar, e o que aserca delo se fará

Cap.39º Que o capitão mande agasalhar alg~us negros que à dita cidade vierem, e per seu modo lhe dê mantimentos

Cap.40º Que não se consinta ninõuem hir às aldeas, salvo comprir a meu serviço e às couzas de doentes

Cap.41º Que não vão buscar galinhas em almadias

Cap.42º Que não entrem os negros nas pousadas, nem isso mesmo na do capitão e a pena que haverá quem não cumprir

Cap.43º Que o capitão, nem alguns dos offiçiaes não agazalhem, nem dem de comer per dinheiro em suas pousadas

Cap.44º Que ninguem não tenha em sua pousada pezos nem balança

Cap.45º Que se publiquem os capitulos deste Regimento antes da partida do Reyno aos moradores e depois que chegarem a Sam Jorge, e dahi em diante cada trez mezes do anno

Cap.46º Que quando alguns offiçiaes e moradores fallecerem, o capitão escreva à Caza pera se proverem outros, e assim se forem maes do que per meu Regimento an-de hir, me escreva as pessoas que assim forem, e / elle com pareçer do feitor e escrivães ponhão entretanto peçoas que os sirvam

Cap.47º Que o capitão não de vagante alg~ua, salvo a dos seus homens

Cap.48º Que este Regimento este sempre na arca da Feitoria com os outros livros

Cap.49º Que todos os offiçiaes e moradores se venhão juntamente pera o Reyno quando vier o capitão, salvo alg~uas que mandar ficar per meus mandados

Cap.50º Da busca que se há-de fazer antes da partida do capitão, offiçiaes e moradores da dita cidade

Cap.51º Da parte que haverá quem soliçitar ou descobrir alg~ua couza furtada ou sonegada

Cap.52º Que se treslade qualquer provimento que eu passar, porque tire ou acrescente alg~ua couza neste Regimento

Regimento do Feitor da Cidade de São Jorge

Cap.1º Das cazas, arcas de tres fechaduras pera os livros que o feitor há de ter na caza da feitoria

Cap.2º Das balanças e pezos que na-de estar na caza da feitoria

Cap.3º Da maneira que se terá na descargua das mercadorias que forem do Reyno

Cap.4º Como se fará o resgate quando vierem mercadores da dita cidade, e pezo, e pezo e repezo do ouro que se resgatão

Cap.5º Da maneira com que se á-de entregar o ouro aos capitães dos navios

Cap.6º Que peçoa alg~ua resgate senão o feitor ou quem o capitão ordenar

Cap.7º Que o feitor resgate pella taxas que forem ordenadas da Caza da Guinée e quanto creçerá sobre ellas

Cap.8º Que se não de baixa em roupa alg~ua

Cap.9º Que tenha o feitor duas prezas grandes pera os lambeis

Cap.10º Que haja hum livro de registo em que sejão assentados os offiçiaes e moradores, e da maneira que nisso terá

Cap.11º Da declaração que se fará nos assentos do dito livro dos nomes e outras couzas das peçoas que na dita cidade estiverem

Cap.12º Dos ordenados que an-de haver per anno o capitão, offiçiaes e moradores da dita cidade

Cap.13º Que não pagem vintena dos ordenados

Cap.14º Da maneyra que se na-de paguar os ditos ordenados

Cap.15º Do mantimento de pão, vinho, azeite, vinagre / que na-de haver os moradores da cidade

Cap.16º De quem entrará per feitor quando o feitor faleçer ou for doente e assim o escrivão primeiro, e o que aserca disso se fará

Cap.17º Do que são obriguados a fazer os quatro homens que o feitor há-de ter

Cap.18º Da parte que haverá quem soliçitar ou descobrir alg~ua couza furtada ou sonegada

Cap.19º Que o feitor faça per mandado do capitão as despezas que per seu Regimento pode mandar fazer

Cap.20º Que o capitão assine em toda a reçeita e despeza do feitor

Cap.21º Que não page ordenado a quem não tiver armas

Cap.22º Do que se fará da almafega, em que vão alliados os fardos da mercadoria

Cap.23º Que os offiçiaes que estiverem na Mina sirvão seus offiçios athé partirem que de os outros de cá forem

Cap.24º Dos jornaes que se darão aos escravos que servirem nas obras e em outros sirviços

Cap.25º Que o feitor e escrivães entendão em todas as couzas de minha fazenda, e elles dem resão aos outros offiçiaes que a seus carregos tocão

Cap.26º Dos escravos que da ilha de Dam Thomé an-de hir à Mina

Cap.27º

Cap.32º

Cap.33º Que o feitor tenha sempre todas as cousas na dita feitoria pera vender aos negros, e maneira que terá quando quiserem comprar alg~uas que não tiver

Cap.34º Que tenha cuidado dos mesu escrevos que sirviram na dita cidade

Cap.35º Das cartas que o feitor e escrivães an-de mandar cada mez das mercadorias e moradores da cidade

Cap.36º Dos escravos que o feitor há-de ter pera sirviço da dita cidade e assim escravas

Cap.37º Sobre a maneira que se terá na venda dos vinhos

Segunda Parte

 

REGIMENTO DA CIDADE DE SAM JORGE DA  MINA, SÃO TOMÉ E OBRAS PIAS POR ONDE SE HAN DE REGER O CAPITAM, FEYTOR E MAIS OFFICIAIS, E VARIAS LEYS, E ALVARAS DEL REY CONCERNENTES À MESMA MATERIA

1529

BSG, Reservados, 2B4

_______________________________

 

 

 

 

 

10 Maio – Carta de Duarte Roiz a D.João III em que o avisa das irregularidades observadas no comércio de S.Tomé, Axém e Mina[32]

 

15 Jun. – Treslado de h~u alvará pera o capitão da Mina per que el Rey manda que os capellães da Mina e Axem lhe não acudão com os mantimentos posto que levem alvará[33]

 

25 Jun. – Carta de D.João III ao capitão da Mina determinando que não se permita aos clérigos exercício do seu ministério na Mina e em Axem sem mandato nem letras do rei, e sem licença prévia do Bispo da diocese do Funchal, ou de “quem seu carrego tiver”.[34]

 

1529 últimos meses? – D.João III em carta ao Rei do Congo estabelece o Regimento pera o Vigairo de Congo:[35]

 

1530 – a partir deste ano os navios franceses começam a atacar aos navios portugueses que vêm da Mina e a tentar comercear directamente nesta

 

1532, 20 Maio – D.João III pede ao Papa Clemente VII que crie a diocese de São Tomé, mencionando expressamente a Ilha do Príncipe, São Jorge da Mina e o reino do Manicongo[36]

 

1532, 2 Ago.- Regimento para o recebedor do trato da ilha de Sam Thomée[37]

 

1532 – 80 escravos que iam a bordo do navio Misericórdia para a Mina sublevam-se e massacram os membros da equipagem só tendo conseguido escapar o piloto Cristóvão Carreiro e dois marinheiros

 

1533, 14 Jan. – Carta régia nomeando Fernão dAlvares, cavaleiro fidalgo da Casa Real e escrivão da Câmara régia, antigo escrivão da Casa da Índia e da Mina, novamente para este cargo[38]

 

1533, 28 Dez. – Leonel Fernandes, capelão do cardeal D.Afonso, irmão de El-Rei, provido na capelania da feitoria de Axém, pelo tempo e com o ordenado do Regimento, acabado o tempo dos providos anteriormente[39]

 

Paulo III

Out.1534-Nov.1549

 

1534, 3 Nov. – Bula Aequum reputamus, de Paulo III criando a diocese de S.Tomé, em cuja área se refere expressamente a “cidade de S.Jorge da Mina”[40]

 

 


[1] Ordenações manuelinas, l.V, tit.112 Das penas q~ auerã os q~ sem liç~eça delrey for~e: ou mãdar~e aa Mina: ou a q~lq~parte d’Guinee: ou hindo per sua liç~eça nõ guardar~e seu regimento.

[2] ANTT, CC II-85-85. Transcrito in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.526-529, doc.IV e parcialmente in MMA, v.IV, p.87

[3] MMA, v.I, p.328-330

[4] ANTT, Bulas, 22-13. Transcrito in MMA, v.IV, p.28-29, doc.9 com a data errada de 1506, v. II, 2ªsérie, p.120-121, doc36

[5] Da Mina Velha = S.Jorge da Mina distingue-se a Mina Nova = Sofala

[6] ANTT, CC, II-107-113. Transcrito in MMA, v.XV, p.42, doc.18

[7] ANTT, CC, II-109-129. Transcrito in MMA, v.XV, p.45, doc.20

[8] ANTT, CM, III, doc.179. Transcrito in MMA, v.IV, p.117-122, doc.32

[9] ANTT, Leis e Regimentos de D.Manuel, f.83-88v. Transcrito in MMA, v.IV, p.124-133, doc.33

[10] ANTT, Livro de Registo de Leys e Regimentos de D.Manuel, f.104. Transcrito in MMA, v.I, p.424-425, doc.122

[11] ANTT, CC, II-83-130. Transcrito in MMA, v.XV, p.47, doc.22

[12] ANTT – CC II-85-8. Transcrito in MMA, v.I, p.426

[13] ANTT – CC II-85-9. Transcrito in MMA, v.I, p.427.

[14] ANTT – CC II-85-44. Transcrito in MMA, v.I, p.428

[15] ANTT – CC II-85-200. Transcrito in MMA, v.I, p.430.

[16] ANTT, CC, II-86-80. Transcrito in MMA, v.XV, p.48, doc.23

[17] ANTT, Leis e Regimentos de D.Manuel, f.162v., Transcrito in MMA, v.IV, p.136-137, doc.35

[18] ANTT – CC II-89-80. Transcrito in MMA, v.I, p.441, doc.129

[19] ANTT – CC II-89-82. Transcrito in MMA, v.I, p.442, doc.130

[20] Regimento desaparecido?

[21] Transcrita na carta confirmatória de D.João III de 3 de Dez.1523. ANTT, OC, Sala 25 – 51-13, f.54v.-55. Transcrito in MMA, v.IV, p.138-140, doc.36

[22] ANTT, CC, II-90-13. Transcrito in MMA, v.XV, p.49, doc.24

[23] ANTT, CC, I-7-29. Transcrito in MMA, v.XV, p.50, doc.25

[24] ANTT – CC II-91-27. Transcrito in MMA, v.I, p.443, doc.131

[25] ANTT – CC II-91-28. Transcrito in MMA, v.I, p.444-445, doc.132

[26] Documento proveniente da Biblioteca Palha. Publicado com erros in FORD, Letters of John III Hing of Portugal, 1521-1557. Transcrita in MMA, v.I, p.451-452, doc.136

[27] ANTT, Ordem de Cristo, Sala 25 – 51-13 f.54v.-55. Transcrito in MMA, v.IV, p.138-140

[28] ANTT – Chancelaria de D.João III, liv.45, f.158v. Referido in MMA, v.I, p.519

[29] BSGL – Regimentos da Cidade de Sam Jorge da Mina, S.Thomé, e obras Pias – Reservado A-55, f.7-7v. Transcrito parcialmente in MMA, v.I, p.502-504, doc.150 e na íntegra in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.542-569, doc.XII, que lhe dá a data de 7 de Fevereiro

[30] BSGL – Regimentos da Cidade de Sam Jorge da Mina, S.Thomé, e obras Pias – Reservado A-55, f.7-7v. Transcrito parcialmente in MMA, v.I, p.502-504, doc.150 e na íntegra in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.542-569, doc.XII, que lhe dá a data de 7 de Fevereiro

[31] Transcrito in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.592-595

[32] ANTT, CC -I-42-116. Transcrito in MMA, v.IV, p.144-146, doc.40

[33] Transcrito in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.608-609

[34] BSGL, Reservado A-55, f.68 v. Transcrito in MMA, v.I, p.519-520, doc.152 e in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.608-609, que lhe dá a data de 15 de Jun.

[35] ANTONIO BRÁRIO, História e Missiologia, cit., p.254-256

[36] Bib.Acad.Ciências de Lisboa, Códice 44 (azul), p.129-130. Cfr.A.BRÁSIO, M.M.A., Áfr.Ocid., v.I, p.196.

[37] Transcrito in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.624-628

[38] ANTT – Chancelaria de D.João III, liv.19, f.20v. Referido in MMA, v.II, p.193(3)

[39] Chancelaria de D.João III, liv.19, f.252. Mencionado in MMA, v.IV, p.650.

[40] ANTT – Bulas – 17-33. Transcrito in MMA, v.II, p.22-34, doc.11

FERNANDO LARCHER / A FORTALEZA DE SÃO JORGE DA MINA SOB A JURISDIÇÃO DA ORDEM DE CRISTO1482-1514

FERNANDO LARCHER

A

 FORTALEZA DE S.JORGE DA MINA

SOB A JURISDIÇÃO ESPIRITUAL

DA ORDEM DE CRISTO

1482 -1514

Através da Cronologia

AS DETERMINAÇÕES SOBRE A EVANGELIZAÇÃO

ANTECEDENTES DA DESCOBERTA DA MINA

 

Nov.1469-Jan.1471

D.Afonso V

1438-1481

Paulo II

Ago.1464-Jul.1471

                1468, Jun./1469, Nov.[1] – D.Afonso V arrenda a Fernão Gomes, por cinco anos, o exclusivo do comércio da Guiné, exceptuando o castelo de Arguim e a zona reservada aos habitantes do arquipélago de Cabo Verde, mediante a renda anual de 200000 reais, “com condição que em cada um destes cinco anos fosse obrigado a descobrir pela costa em diante cem léguas, de maneira que no cabo do seu arrendamento desse quinhentas léguas descobertas.”

 

 

 

 

DA DESCOBERTA À CONSTRUÇÃO DA FORTALEZA

 

Jan.1471-Jan.1482

1471, Jan. – João de Santarém e Pêro de Escobar, cavaleiros da casa de el-rei, e capitães do arrendatário Fernão Gomes,  sendo pilotos Martim Fernandes e Álvaro Esteves, descobrem toda a Costa da Mina em 1471[2]

O primeiro resgate que se faz nesta costa é em Sâmá e o segundo na Aldeia de Duas Partes, onde se viria a construir a fortaleza de S.Jorge da Mina[3]

Xisto IV

Ago.1471-Ago.1484

1471, 21 Dez.- João de Santarém e Pêro de Escobar descobrem a ilha de S.Tomé

1474, 29 de Ago. – D.Afonso V concede armas novas a Fernão Gomes e o apelido de Mina, em memória do descobrimento dela.[4]

1474 – D.Afonso V confia o governo da Mina a seu filho D.João

1475 – Armou-se na Flandres um navio de flamengos, com um piloto castelhano que foi resgatar à Mina, mas no regresso acabou por naufragar, comendo os negros 35 flamengos.[5]

A Mina entre as pretensões portuguesas e castelhanas

1475-1479[6]

                1475, 19 Ago. – Isabel a Católica reivindica os seus direitos sobre a Guiné e o de autorizar os seus súbditos a ir aí traficar

1476 – uma frota castelhana com mais de 25 caravelas, sob o comando de Carlos de Valera, procura atacar de surpresa uma frota portuguesa enviada por Fernão Gomes

1478, 4 Mar. – cartas patentes de Isabel a Católica autorizando os marinheiros de Palos e doe outras vilas , predominantemente da Andaluzia, a comercializar livremente com a Costa da Mina

1478 – os castelhanos mandam uma frota de 35 navios à Mina, mas esta é aprisionada pela armada portuguesa comendada por Jorge Correia e Mem Palha

1479, 17 Fev. – Carta dos reis de Castela determinando a proibição de ir à Mina e Guiné, sem prévia autorização sua, sob pena de confiscação dos bens[7]

1479, 4 Set. – Pelo Tratado de Alcáçovas os reis católicos reconhecem o monopólio português na comércio da Guiné

1479-1480 – o mercador flamengo Eustache de la Fosse, partindo de Sevilha, vai traficar nas costas da Malagueta e da Mina do Ouro e nomeadamente na Aldeia das Duas Partes onde é aprisionado por 4 navios portuguesas, sendo ele e os seus companheiros aprionado e conduzido a Portugal donde consegue fugir. Escreverá sobre a sua aventura Voyage à la côte occidentale d’Afrique (1479-1480) [8], onde se encontram as primeiras informações sobre o comércio e os povos destas regiões..

1480, Jan. – duas caravelas portuguesas vão da Aldeia das Duas Partes até ao Rio dos escravos (na actual Nigéria) donde regressam com 400 escravos que na maioria são trocados por ouro.

1481, 4 Maio – D.Afonso V, por carta datada de Torres Novas, confirma a doação a seu filho D.João do comércio da Guiné como das terras posteriormente descobertas[9]

1481 – Sg. o Padre franciscano Lemmens uma lápide com esta data comemoraria uma igreja franciscana em honra de S.to António edificada em Elmina.[10]

D.João II

1481-1495

                (D.João II também constrói a fortaleza de Arguim. A Mina completa Arguim)

1481 – Depois de ter ouvido pareceres díspares em Conselho para o efeito reunido, D.João decide construir uma fortaleza na Mina para salvaguardar o comércio e a presença portuguesa no Golfo da Guiné

1481, 21 Jun. – Pela bula Aeterni Regis, Sixto IV ratifica as cláusulas da partilha estabelecidas pelo tratado de Alcáçova (vide 1479, 4 Set.) e reafirma os direitos de conquista exclusivos reconhecidos a Portugal pelas bulas Romanus Pontifex e Inter Coetera respectivamente de 1455 e 1456

1481, 11 Set. – Breve de Sisto IV, de  concessão de indulgência plenária a todos os que morrerem no Castelo da Mina[11]

1481, 12 Dez. – Uma frota, constituída por 10 caravelas, 2 urcas e outros navios pequenos, comandada por Diogo da Azambuja[12] e transportando 500 soldados e 100 mestres de construção deixa Lisboa. Mais carregava a frota “pedra, cal, telha, madeira, pregadura, ferramentas, e mantimentos.” Levava por Regimento “que a fortaleza se edificasse na Terra da Mina, no lugar que lhe melhor parecesse do Cabo das Tres Puntas atee o Cabo das Redes.”[13]

OS TEMPOS DA FORTALEZA PORTUGUESA DE

S.JORGE DA MINA

 

Jan.1482-Ago.1637

 

(155 anos)

A Construção da Fortaleza

1482

1482, 1/19[14] Jan. – A frota chega à Aldeia de Duas Partes, assim designada por situada nas duas margens da foz do pequeno rio Benya. O rio constitui aliás a fronteira de dois reinos locais: na margem direita Comane ou Eguafo[15] e na margem esquerda Fetu , Efutu ou Afutu[16].

Aí, Diogo de Azambuja solicita uma reunião com o rei de Eguafo, Caramansa (termo que em mandinga significa vice-rei), possivelmente Nana Kwamena Ansah I[17], que se virá a realizar na Aldeia das Duas Partes. Nesta, não sem alguma dificuldade, após um diálogo de que João de Barros dá conta, alcança o assentimento para lançar o fundamento dum castelo, primeiro edifício que naquela região se constrói.

____________________________________

A ZONA CIRCUNDANTE DE S.JORGE DA MINA:

Os Reinos de Fetu e de Guafo

A Aldeia de Duas Partes

A laguna, a foz do Rio e o Mar

____________________________________

1482, 20 Jan.- Sg.Barros é celebrada a “primeira” Missa na Mina.

1482, 21 Jan. – Inicia-se a construção da fortaleza[18], sobre um maciço rochoso, numa península delimitada pelo mar, pelo rio Benya e pela sua laguna, com boas condições de ancoradouro e com água potável. Por vontade régia chama-se S.Jorge da Mina, em sítio localmente conhecido como Anomee ou Anomansa. É seu construtor Luís Afonso, mestre de obras (vide 1482, 29 Jun.).

Logo que a construção se iniciou os indígenas atacaram os portugueses, ao que parece porque os rochedos onde esta se localizava eram considerados como divindades do reino. Diogo da Azambuja resolve o problema com ofertas feitas ao rei e aos seus dignatários.

Durante a construção, Diogo de Azambuja mandou queimar a aldeia dos Negros, como punição pelos “furtos e maldades” destes

1482, segunda semana de Fev. – A fortaleza em construção tem já uma forte capacidade defensiva

1482 – Acabada a fortaleza regressa grande parte da expedição a Portugal, ficando Diogo de Azambuja com sessenta homens como tinha sido determinado pelo regimento régio. Os mortos são sepultados junto à árvore em que se disse a primeira missa, que ficou em adro da Igreja do orago de São Jorge.

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FORTALEZA DE S.JORGE DA MINA NO TEMPO DOS PORTUGUESES[19]

REPRODUZIDO DE DAPPER, Description de l’Afrique, 1686

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Construída a fortaleza

Diogo da Azambuja permanece como seu primeiro Governador

1482-1484

1482, 29 Jun. – D.João II concede a Luís Afonso a tença anual de 3:000 reais pelo serviço que dele recebera na construção de S.Jorge da Mina.[20]

1484 – Depois de dois anos e sete meses, Diogo da Azambuja acaba o seu governo da Mina e regressa a Portugal. Sucede-lhe Álvaro Vaz Pestana

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                                                                                                                             REINO DE FETU**

Aldeia

R i o   B e n y a

REINO DE                  das Duas Partes

GUAFO*

FORTALEZA

DE S.JORGE

AS 3 COMUNIDADES NA MINA:

–          a do Castelo de S.Jorge

–          a da Aldeia satélite das Duas Partes

–          a dos Reinos Vizinhos

–          A QUE HÁ QUE ACRESCENTAR AS COMUNIDADES PERIFÉRICAS DE:

–          Axim ou Axém (a     Km.)

–          a de Shama (a     Km.)

* O rei reside na montanha a cerca de 15 Km a nordeste de S.Jorge. A capital é conhecida pelos europeus por Comando e na língua local Gualfo ou Eguafo  portugueses

** Capital do reino de cerca de 20 Km a norte de Oguua (hoje Cape Coast, no Cabo Corço)

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Inocêncio VIII

Ago.1484-Jul.1492

1485, 17 Mar. – Carta de mercê, outorgada por D.João II em Beja, do acrescentamento de um castelo no escudo das suas armas, concedido a Diogo de Azambuja em recompensa dos seus grandes serviços ao Rei e ao reino, nas guerras passadas e na construção, do castelo de S.Jorge da Mina[21]

1485 – D.João II passa a intitular-se Senhor da Guiné

1485 – João Afonso de Aveiro sobe pela primeira vez pelo Níger entrando em contacto com o reino Yoruba do Benin, o maior dos reinos que até contactam

1486, 15 Mar. – Elevação de S.Jorge da Mina a cidade

1486 – eventualmente nesta data terá sido criada a feitoria de Axim

1490, 18 Jun. – Carta de perdão a João Prestes, criado de Fernão Martins Mascarenhas, capitão e do Conselho do Rei, que fugira da prisão, onde estava por ter resgatado mercadorias proibidas na Mina[22]

1490, 28 Ago. – Carta de perdão a Duarte Farto, escudeiro, que fugira da prisão, a que estava condenado por coisas da Mina. O perdão é concedido na condição de o réu regularizar as coisas que o levaram à prisão[23]

1491, 3 Abr., domingo de Páscoa – foi baptizado Manisonho e o seu filho, e terá sido celebrada a primeira missa da embaixada de Rui de Sousa, no Zaire, por Fr.João, ministro dos franciscanos, sg.Antonio Brásio[24], baseado em Rui de Pina

Alexandre VI

Ago.1492-Ago.1503

1493, 20 Maio – Carta de poder e autoridade dada pelos reis de Castela e Aragão a Cristóvão Colombo para ir às Índias (Ocidentais). Ordenam que ninguém vá à Mina nem ao seu trato, por estar assentado ser do rei de Portugal[25]

1493, 21 Nov. – Carta de privilégios e isenções a Álvaro de Caminho, capitão da ilha de S.Tomé, e a seus moradores. […] ; autorização para trocar produtos da ilha por ouro, em S.Jorge da Mina[26]

1493, 11 Dez.- Carta de licença aos moradores povoadores da ilha de S.Tomé para resgatarem pimenta, escravos e outras mercadorias, desde o Rio Real e ilha de Fernando Pó até ao Manicongo. Estabelece os preços de venda ao feitor de S.Jorge da Mina daquelas mercadorias e do açúcar[27]

Tratado de Tordesilhas, delimitando por uma linha traçada de pólo a pólo,

370 léguas a ocidente das ilhas de Cabo Verde,

 a área das conquistas e resgates dos dois reinos[28]

7 Jun.1494

Tratado de Tordesilhas, sobre a navegação e pescarias entre o cabo Bojador e o Rio do Ouro

 e deste para o sul e sobre a delimitação da conquista do reino de Fez[29]

7 Jun.1494

                1494, 11 Out.- Mandado a Pero Lopes, almoxarife dos fornos de vale do Zebro, para que entregue a João Rodrigues Pouco-Pão, mestre-piloto da caravela S.Gião, que vai à Gâmbia, 150 quintais de biscoito para o almoxarife de Cabo Verde para abastecimento das caravelas que vão à Mina e Guiné[30]

1494, 20 Dez.- Carta de vizinhança a Lopo Soares, fidalgo da Casa Real, que ia por capitão para S.Jorge da Mina, para poder ficar vizinho da cidade de Lisboa com todas as prerrogativas a isso inerentes[31]

1495, 29 Set.- Testamento de D.João II. Entre as disposições, determina que, enquanto não houver o rendimento das terras de pão que manda comprar em Lisboa para dar, anualmente, 170 justos de ouro ao hospital de Todos-os-Santos, esse dinheiro seja pago da renda de S.Jorge da Mina[32]

D.Manuel I

Out.1495-Dez.1521

                1495, 29 Out.- Mandado dos reis de Castela ao corregedor de Cádis e ao governador da ilha da Grã Canária para que prendam certos castelhanos e um português que armaram uma caravela para ir à costa da Guiné onde roubaram, mataram e cativaram muitos negros e sequestrem os seus bens e os enviem a Portugal para aí serem julgados logo que o rei português o pedir[33]

1495, 29 Out.- Mandado dos reis de Castela e Aragão às justiças de seus reinos para que mandem prender, sequestrar os bens e enviar a Portugal o piloto português João Dias que, juntamente com os franceses, roubara uma caravela real que vinha da Mina, se o rei de Portugal assim o pedir[34]

1496, 12 Maio – Carta de confirmação de mercê de padrão de tença dada a D.Violante da Cunha de 6000 reais, os quais eram retirados da tença de 30 000 reais de D.Fernão Martins Mascarenhas, a seu pedido, pagos por Fernão Lourenço, tesoureiro e feitor da Casa da Mina, da vintena de ouro que vem da Guiné[35]

1496, 14 Maio – Carta de confirmação do alvará a Afonso Álvares, cavaleiro, a conceder-lhe o cargo de juiz dos feitos e superintendente dos resgates de Mina e das partes da Guiné, com as mesmas prerogativas que tivera Brás Afonso[36]

1496, 21 Jun.- Carta de mercê a Afonso de Bobadilha, fidalgo, que foi capitão em S.Jorge da Mina, da tença anual de 40 000 reais brancos[37]

1497, 8 Jul. – Saída da frota comandada por Vasco da Gama com o objectivo de chegar à Índia. Na frota iam 148 homens, dentre os quais Bartolomeu Dias, que ficariam em Cabo Verde com destino à Mina

1497, 15 Set.- Carta de confirmação de vizinhança a Lopo Soares[38], fidalgo da Casa Real, que ia por capitão para S.Jorge da Mina, para poder ficar vizinho da cidade de Lisboa, com todas as prerogativas a isso inerentes[39]

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Lopo Soares

Nomeado para a Mina em 20 Dez.1494

Diogo Lopes de Sequeira

Nomeado para a Mina em Dez.1503

CAPITÃES DA MINA QUE VIRIAM A SER ENCARREGADOS DO GOVERNO DA ÍNDIA

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                1499, 18 Jan.- D.Manuel declara que o trato da Guiné e Mina seriam sempre dependência de Portugal e o ouro da Mina seria sempre lavrado nas casas da moeda portuguesas[40]

1499, 28 Fev.- Carta de doação ao mosteiro de Santa Maria de Belém do padrão de 176 000 reais brancos de tença, valor da vintena das taxas da cidade de S.Jorge da Mina[41]

1499, 13 Mar.- Carta de mercê a Pero Barroso, escudeiro, do ofício de guarda das caravelas que vêm das partes da Guiné e cidade de S.Jorge da Mina, ofício que já exercia[42]

1499, 14 Mar.- Carta de mercê a André Cubelos, escudeiro, do ofício de guarda das caravelas que vêm da Guiné e da cidade de S.Jorge da Mina, ofício que já exercia[43]

1499, 20 Abr.- Carta de alforria dada pelo Rei a Beatriz Gomes, escrava, pelos bons serviços prestados em S.Jorge da Mina[44]

1499, 12 Jul. – Manifesto do ouro, escravos e mantimentos recebidos e dispendidos de Set.1495 ao fim de Junho de 1499 pelos capitão cessante Lopo Soares, alcaide-mór Gonçalo Roiz de Sequeira, físico mestre Jerónimo, feitor Gil Matoso, escrivães da receita e da feitoria, calafates, criados e vários moradores da cidade de S.Jorge da Mina, antes da sua partida para o reino[45]

1499, Jul.- dá-se notícia da visita dom embaixadores do reino do Benin às autoridades portuguesas da fortaleza de S.Jorge da Mina

1499, 23 Ago. – Breve de Alexandre VI concedendo a D.Manuel o direito de padroado nas partes de África[46]

1501, 28 Set. – Carta de D.Manuel a ordenar ao feitor e scrivães que na cidade de S.Jorge da Mina se celebrem os sufrágios prescritos pelo infante D.Henrique no seu testamento: dissessem cada Sábado uma missa de Nossa Senhora, com a comemoração do Espírito Santo e a oração de “fydelyum Deus”. “E amtes de emtrar aa mjsa se virasse pera o poboo e lhe roguasse pello amor de Deus, que dyssessem hum pater noster pella sua almaa e por os da dita hordem e por aquelles que erra tehudo e obriguado a roguar a Deus. E que o dito Capellam ou viguairo ouuesse cadanno por seu trabalho hu~u marco de parta (sic) em Parta (sic), paagua pella renda da vimtena que ele deu aa dita hordem.”[47]

1501, 11 Out. – Pública forma em que foram transcritas as 4 cartas de D.Manuel, entre as quais a de 28 Set.supra cit.

1503 – É erecta uma capela de Santiago próxima da fortaleza

1503 – (No Dic.de Hist.dos Descobrimentos, v.I, p.105, vox Axem (ou Axim), Fortaleza de refere-se a construção em finais do séc.XV) – é mandada construir por D.Manuel,  a oeste do cabo das Três Pontas, a 180 Km de S.Jorge da Mina, uma fortaleza em Axem ou Axim, a que os nativos também chamavam Essim.[48] Iniciada a preparação para a construção desta fortaleza neste ano[49], só será acabada em 1508. Em 18 de Agosto já Diogo e Alvarenga escreve ao rei (vide infra) para que para lá envie um clérigo pois morem lá os homens sem confissão. É a referência mais antiga que encontrei a Axém.

1503, 17 Maio – Breve de Alexandre VI a D.Manuel[50] confirmando o teor do testamento do Infante e pedindo a todos os padres, reitores das igrejas em África, “em nome da santa obediência e sob pena de excomunhão” de o cumprir sem invocar nenhum impedimento.

1503, 24/25 Jul. – O vigário e Diogo de Alvarenga são enviados pelo capitão ao Rei de Afuto, Sasaxy, para o baptizarem. Com ele recebem, na véspera do dia de Santiago, o baptismo seis cavaleiros, os principais do lugar.

No dia de Santiago, aquele Rei, pela manhã mandou fazer na praça uma casa de oração em que lhe dissessem missa, que seria deginada por ermida de Santiago de Afuto, e depois o vigário baptizou todos os principais, cerca de 300, e duas mulheres e um filho do rei. E depois quizeram receber o baptismo mais de 1000 pessoas.

Na carta a D.Manuel em que estes factos refere[51], Diogo de Alvarenga pede mais um clérigo para a nova capela e um clérigo para Axem.

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Antecedentes da cerimónia: acordos, catequese…: desconhecidos

Enviados pelo Capitão: Vigário (quem é?) e Diogo de Alvarenga

Baptizados:

24 Jul.: Rei de Fetu e 6 cavaleiros

25 Jul.: 300 notáveis; 2 mulheres e 1 filho do rei; 1000 pessoas, adultos e crianças

BAPTIZADO DO REI DE FETU

24 Julho 1505

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                1503, 18 Ago. – Carta, supra referida (24/25 Jul.), de Diogo de Alvarenga a D.Manuel, datada de S.Jorge da Mina, em que descreve os acontecimentos de 24/25 de Julho e em que fala na necessidade de prover Axem de um clérigo.[52]

Júlio II

Nov.1503-Fev.1513

1503, Dez. – Diogo Lopes de Sequeira é nomeado capitão da Mina

1503, 22 Dez. – Carta do capitão da Mina, Diogo Lopes de Sequeira a D.Manuel em que afirma:

“E quãto hé Senhor açerca dhua carta que me vosa Senorja escreueo açerca de mãdar h~u crelleguo [a] Ax~e, djgo Senhor que nõ hé neçesaryo n~e vosso servjço.”[53]

1504, 20 Ago.- 1507, 10 Jan. – Estevão Barradas exerce o ofício de feitor da Mina. Durante este período recebe e vende por conta do rei 440 escravos dos dois sexos

1506, 18 Jan. – Breve de Leão X a D.Diogo Pinheiro concedendo-lhe a faculdade de mandar benzer por seus vigários as vestes sacerdotais e outras vestimentas eclesiásticas, nas partes da Etiópia ou Guiné.[54]  BRÁSIO REFERE-O COMO DE 1506 MAS É EFECTIVAMENTE DE 1516  Vide 1516, 18 Jan.

1506, 13 Jul. – Breve de Júlio III confiando aos bispos de Ceuta e Tânger o cuidado de velarem sobre as necessidades das igrejas do padroado de Portugal e seus domínios ultramarinos[55]

1508 – Terá sido acabada a fortaleza de Axim[56]

1508, 16 Fev.- Em carta referente à actividade de Axim entre 1 de Maio de 1505 e o fim de Setembro de 1506, época do feitor Aires Botelho, figuram entre os haveres quitados os da capela:

“E outras cousas que serv~e na capela da dita feytoria …”[57]

1509 – Regimento das Cazas das Indias e Mina, cap.20º: “Do Almazem, artelharia y armas que ham destar em Sam Jorge”[58]

1510, 2 Set.- Carta de funcionários de São Jorge da Mina ao Rei de Portugal sobre tensões e rivalidades suscitadas em redor do comércio português e de que um comerciante africano, João Serrão, e o rei de Fetu são os principais protagonistas[59]

1510, 2 Set.- Carta de funcionários do capitão de São Jorge da Mina, Manuel de Góis, ao Rei de Portugal sobre tensões e rivalidades suscitadas em redor do comércio português e de que um comerciante africano, João Serrão, e o rei de Fetu são os principais protagonistas[60]

1512 – D.Manuel dá ao seu embaixador ao Congo, Simão da Silva, cavaleiro da OC, um regimento em que ordenava:

“trabalhês de fazer hu~ua booã ygreja ou moesteiro de pedra e call daquella gramdura que vos beem parecer na qual poer~es synos e Restaullos e ornam~etos dos ~q leuaães e lá estam. E por~q leuaaes gysamentos pera b [5] altarees sse vos parecer bem se aleuãtar~e todos b, na ygreja ~q asy fezerdes asy o farês […]”

[…] e aquele que asy nam vyver premdeloês por vertude do Poder ~q leuaes pera yso do vigairo [de Santa Maria do Olival], XXX”[61]

1513?  – primeira embaixada do Rei do Congo ao Vaticano.

Leão X

Mar.1513-Dez.1521

1513, 7 Ago. – bula de Leão X Eximie decotionis a D.Manuel, concedendo o privilégio ao titular da Igreja da Conceição de Lisboa, da Ordem de Cristo, de baptisar, sem catequese anterior, os escravos chegados da Guiné.[62]

1514, 12 Jun. – bula Pro excellenti proeminentia, de Leão X, criando a diocese do Funchal


[1] Sobre estas datas, a segunda das quais indicada por JOÃO DE BARROS, Ásia, Décadas, vide MMA, I, 2ªsérie, p.455 e J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.I, p.46(3)

[2] Cfr.DUARTE PACHECO PEREIRA, Esmeraldo de Situ Orbis. Excerpto transcrito in MMA, 1ªsérie, v.I, p.3, doc.1  e JOÁO DE BARROS, Ásia, Décadas, I, liv.II, cap.II. Transcrito in MMA, 2ª série, v.I, p.436-443, maxime p.438.

[3] JOÁO DE BARROS, Ásia, Décadas, I, liv.II, cap.II. Transcrito in MMA, 2ª série, v.I, p.436-443, maxime p.438.

[4] JOÁO DE BARROS, Ásia, Décadas, I, liv.II, cap.II. Transcrito in MMA, 2ª série, v.I, p.436-443, maxime p.439.

[5] Cfr.DUARTE PACHECO PEREIRA, Esmeraldo de Situ Orbis, liv.2º, cap.3º. Excerto transcrito in MMA, 2ªsérie, v.I, p.667-671, maxime p.669, doc.113

[6] A este respeito vide F.EMBID PEREZ, Los descobrimentos en el Atlantico y la rivalidad castellano-portuguesa hasta el tratado de Tordesilla, Sevilla, 1948

[7] Descob.Port., v.III, p.634-635, doc.380

[8] Vide R.MAUNY, Eustache de la Fosse – Voyage à la côte occidentale d’Afrique (1479-1480) in Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, nº14, Bissau, Abril 1949, p.181-195

[9] ANTT, Chancelaria de D.Afonso V, liv.26, f.102v. Transcrito in MMA, v.IV, p.12-15, doc.5.

[10] Consta da Revista Illustrata della Esposizione Missionaria Vaticana, Ano II, 1925, nº10, p.303: “Nell’Africa occidentale si trovano i Francescani portoghesi già fin dal secondo XV e ne fa testimonianza all’Esposizione Vaticana la lapide di una chiesa da loro edificata nel 1481 in onore di S.Antonio in Elmina sulla Costa d’Oro.” Esta afirmação entre em contradição com a de Barros de que a primeira missa na Mina se celebra em 20 de Janeiro de 1482. Seria que os franciscanos estavam noutro local da costa da Mina? A lápide referida pelo padre Lemmens não foi fotografada e o Padre Brásio quando a tentou localizar não o conseguiu. Cfr. ANTONIO BRÁSIO, História e Missiologia, Luanda, 1973, p.200(13).

[11] MMA, v.I, p.7, doc.2

[12] A seu respeito, L.CORDEIRO, Diogo da Azambuja, Questões, Lisboa, 1936, v.II, p.93-s. e Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 1892, p.5-s.

[13] Apud RUI DE PINA, Chroniqua del Rey Dom Joham II, Coimbra, 1950, p.8

[14] DUARTE PACHECO PEREIRA, Esmeraldo de Situ Orbis indica a data de 1 e BARROS indica a de 11 de Janeiro.

[15] Sobre este reino J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, cit., v.I, p.90-98

[16] Sobre este reino J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, cit., v.I, p.98-99

[17] A este respeito, J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, cit., v.I, p.59

[18] Sobre a construção vide  GARCIA DE RESENDE, Crónica de D.João II, Cap.XXV “De como el Rei mandou fazer o Castelo da cidade de S.Jorge na Mina”; RUI DE PINA, Chronica d’El Rey D.Ioham, Ed.Acad. Real das Ciências de Lisboa, Cap.II, p.7-8, transcrito in MMA, v.I, p.8-14, doc.3; e DUARTE PACHECO PEREIRA, Esmeraldo de Situ Orbus, p.645-648, e JOÃO DE BARROS, Ásia, décda I, liv.III, transcrito in MMA, v.I, p.18-29, doc.5.

[19] Para a iconografia de S.Jorge da Mina:

a) na cartografia:

b) gravuras:

– magnífica gravura de 1686, de DAPPER – Description de l’Afrique, 1686, reproduzida in LUÍS DE ALBUQUERQUE, Portugal no Mundo, v.III, p.74-75 e in MMA, v.II, entre p.72 e 73.

c) publicação de fotografias:

–  J.BATO’ORA, São Jorge da Mina, cit., t.II, p.492/493

[20] Cartas régias de 29 Jun.e 2 Dez.1482 publicadas por SOUSA VITERBO, Dicionário dos Architectos,…, v.I, p.489, nº389 e v.II, p.297, nº761

[21] ANTT, Místicos, liv.3, f.241-242. Transcrito in MMA, v.I, p.49, doc.12

[22] ANTT, Chanc.D.João II, liv.13, f.90v. Transcrito in PMA, v.II, p.50-51, doc.26

[23] ANTT, Chanc.D.João II, liv.16, f.65. Transcrito in PMA, v.II, p.57, doc.31

[24] ANTONIO BRÁSIO, História e Missiologia, Luanda, 1973, p.205.

[25] Transcrito in MARTIN FERNANDEZ NAVARRETE, Coleccion de los viages y descubrimientos, que hicieron por mar los españoles desde fines del siglo XV, com varios documentos inéditos concernientes á la historia de la marina castellana y de los establecimentos españoles en Indias. 1825-1837, Madrid, v.III, p.483-484 e in PMA, v.II, p.105-106, doc.60

[26] ANTT, Ilhas, f.106-107v. Transcrito in PMA, v.II, p.127-129, doc.76

[27] ANTT, Ilhas, f.105v.106. Transcrito in PMA, v.II, p.135-136, doc.81

[28] Inserto na carta de ratificação de 2 de Julho de 1494. ANTT, Gav.XVII, 2-24. Orig.castelhano. Transcrito in As Gavetas da Torre do Tombo, v.VI, p.648-660, in SILVA MARQUES, v.III, p.441-446, e in PMA, v.II, p.142-154, doc.85

[29] Inserto na carta de ratificação de 2 de Julho de 1494. ANTT, Gav.XVII, 4-17. Orig.castelhano. Transcrito in As Gavetas da Torre do Tombo, v.VII, p.90-102, in SILVA MARQUES, v.III, p.446-453, e in PMA, v.II, p.155-167, doc.86

[30] ANTT, C.C., I, 75-72. Transcrito in PMA, v.II, p.173-174, doc.92

[31] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.28, f.98. Transcrito in PMA, v.II, p.185, doc.101

[32] ANTT, Gav. XVI, 1-16. Transcrito in As Gavetas da Torre do Tombo, v.VI, p.88-98 e in PMA, v.II, p.205-215, doc.115

[33] Transcrito in MARTIN FERNANDEZ DE NAVARRETE, op.cit., v.III, p.503-505, in SILVA MARQUES, v.III, p.471-472 e in PMA, v.II, p.218-219, doc.117

[34] Transcrito in MARTIN FERNANDEZ DE NAVARRETE, op.cit., v.III, p.505, in SILVA MARQUES, v.III, p.472-473 e in PMA, v.II, p.220, doc.118

[35] ANTT, Chanc.D.Manuel , liv.34, f.71v.-72. Transcrito in PMA, v.II, p.250, doc.144

[36] ANTT, Chanc.D.Manuel , liv.43, f.22. Transcrito in PMA, v.II, p.251, doc.145

[37] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.46, f.58. Transcrito in PMA, v.II, p.257, doc.149

[38] Viria a ser encarregado do governo da Índia

[39] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.28, f.98. Transcrito in PMA, v.II, p.331, doc.192

[40] PMA, v.I, p.388

[41] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.41, f.76v.; Misticos, liv.1, f.298v. Transcrito in PMA, v.II, p.394, doc.230

[42] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.41, f.76v.; Misticos, liv.14, f.19v. Transcrito in PMA, v.II, p.396, doc.232

[43] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.14, f.21-21v. Transcrito in PMA, v.II, p.400, doc.235

[44] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.16, f.45v. Transcrito in PMA, v.II, p.407, doc.239

[45] ANTT, NA 867. Transcrito in J.SILVA MARQUES, Descobrimentos Port.- Docum.para a sua história, v.III, p.520-541, doc.336, in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.493-519, doc.I, dando-o com a data do treslado (23 de Ago.1499), e in PMA, v.II, p.438-472, doc.245

[46] ANTT, Livro Segundo dos Breves dos Sumos Pontífices, f.1-1v. Transcrito in MMA, v.I, p.179, doc.45

[47] ANTT Códice pergamináceo 516, p.53-55. Transcrito in MMA, v.I, p.184-185, doc.49

[48] Sobre esta fortaleza escreve DUARTE PACHECO PEREIRA, Esmeraldo de Situ Orbus, p.165: “Do rio Soeiro à serra de Santa Apolónia são doze léguas e jaz a costa les-suest/e/ e oes-noroest/e/; e passando adiante esta serra com seis léguas verão ~ua fortaleza sobre a costa do mar, que el-Rei Dom Manuel Nosso Senhor mandou fazer, onde se resgatam em cada um ano trinta e quarenta mil dobras de bom ouro e a terra onde está esta fortaleza se chama Axem, e é assaz doentia de febre.”

Vide a descrição que dela é feita num parecer sobre a sua defesa, datado de 1638   MMA, v.VIII, p.408-420, doc.113

[49] Sg.A.W.LAWRENCE,

[50] MMA, v.I, p.188-189

[51] ANTT – CC-I-4-32. Transcrita in MMA, v.I, p.190-193, doc.52

[52] ANTT – CC I-4-32. Transcrita in MMA, v.I, p.190-193, doc.52

[53] ANTT, CC-I-4-42. Transcrito in MMA, v.IV, p.24-27, doc.8

[54]   MMA, v.IV, p.28-29, doc.9.

[55] ANTT – Bulas -36-34. Transcrito in MMA, v.IV, p.30-32, doc.10

[56] Se.A.W.LAWRENCE, op.cit, p.229. Porém, o Esmeraldo refere em 1505-1508 que um castelo ai fora construído por ordem de D.Manuel

[57] ANTT, Chancelaria de D.Manuel I, liv.5, f.20; ANTT, Livro das Ilhas, f.75-75v. Transcrito in MMA, v.IV, p.50-51, doc.13.

[58] In DAMIÃO PERES, Regimento das cazas das Indias e Mina, Manuscrito inedito, Coimbra, 1947, p.25

[59] ANTT, CC, I-9-60. Transcrito in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.520-521, doc.II

[60] ANTT, CC, I-9-61. Transcrito in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.522-525, doc.III

[61] ANTONIO BRÁSIO, História e Missiologia, p.245. Vide Também a Lembrança das Cousas para o Reino do Manicongo, em que se referem vários objectos litúrgicos, idem, p.263-266

[62] Consulte-se a bula in MMA, v.I, p.275-277

SÃO LUIS PRINCIPE HERDEIRO DE NAPOLES E BISPO DE TOLOSA

 

 

FERNANDO LARCHER

SÃO LUÍS, PRÍNCIPE HERDEIRO DE NÁPOLES, FRADE MENOR, BISPO DE TOLOSA

E ORAGO DA IGREJA E CONVENTO DAS CLARISSAS DE PINHEL

 

 

 

1. A partir de meados da década de trinta do séc.XVI, há um surto de mosteiros femininos nas dioceses de Lamego e de Viseu, nas quais se integrava a Beira Côa.

Quando por bula de Clemente XIV, de 25 de Agosto de 1770, é fundada a diocese de Pinhel, já os conventos franciscanos femininos na região estavam reduzidos a dois: São Luís de Pinhel e Santa Clara de Trancoso. Nª Sra.do Souto da Nave e Nª Sra.do Souto de Almeida tinham sido encerrados respectivamente em 1746 e 1767, este por o governador da praça, Francisco Mac-Lean, ter solicitado as instalações para quartel e hospital.

 

O mais antigo desse surto conventual fora o de Santa Clara de Trancoso fundado em tempos de D.João III, em 1537, pelo fidalgo dr.Cristóvão Mendes de Carvalho e por sua mulher, D.Brites Correia.

Quase sessenta anos depois, em 1596, o secretário de Estado Luís de Figueiredo Falcão  aproveitando a vinda a Lisboa do Ministro Geral dos menores observantes, Fr.Boaventura de Calatagyrona (1593-1600) para presidir à Congregação da Província, comunica-lhe a intenção de fundar em Pinhel, sua terra natal, um mosteiro de clarissas. Encontrando assentimento envia uma suplica ao papa, então Clemente VIII (1592 –1605), a que este responde pela bula Volumus, & statuimus, aprovando o mosteiro, ainda que dando-lhe solução diferente da pretendida quanto à obediência: não dependeria da província, mas sim do bispo de Viseu. A chegada das três primeiras freiras, vindas do Mosteiro de Santa Clara da Guarda, que remontava à primeira metade do séc.XIV, dá-se a 27 de Outubro de 1602: a abadessa vitalícia e irmã do fundador, Madre Guiomar dos Reis, Soror Antónia da Anunciação e Soror Luísa do Espírito Santo, esta com o título de mestra pois era capaz de ensinar o latim ficando também com o encargo da casa.

Não nos ocuparemos aqui das vicissitudes do Mosteiro, a que o celebérrimo decreto de 28 de Maio de 1834 ditaria sentença de morte, mas do patrono que o seu fundador estabelecera: São Luís de Tolosa.

Foi ele que aqui nos trouxe. Quem é, pois, este São Luís, por vezes confundido com seu tio avô, São Luís IX, rei de França?

 

2. São Luís de Anjou, porque membro da casa dos duques de Anjou, esteio da casa real de Nápoles, São Luis de Tolosa, porque bispo desta importante diocese, ou São Luís de Marselha, porque sepultado no convento franciscano desta cidade, este o São Luís que ainda hoje se venera na actual Igreja paroquial, antiga igreja conventual, que foi, durante várias décadas do séc.XIX, Sé episcopal de Pinhel.

Nascido em 9 de Fevereiro de 1274, em Brignoles, perto de Marselha, ou segundo outros, e com mais verosimibilidade, em Itália, em Mucera de los Paganos, era  filho do rei de Nápoles, Carlos II, cognominado o Coxo, e de sua mulher Maria, filha do rei Estevão V da Hungria (1270-1272) e pretendente à coroa desse reino. Ainda que nascido secundogénito, Luís tornar-se-ia príncipe herdeiro por morte de seu irmão primogénito em Agosto de 1295.

 

Qualquer que tenha sido o seu local de nascimento, a sua vida decorreu nesse quase semicírculo que configuram as costas do Mediterrânio de Nápoles a Aragão.

 

 

3. A sua primeira infância esvai-se cedo. Aos 14 anos vê-se, nos termos do tratado de Oloron, de fins de Julho de 1287, enviado com dois dos seus irmãos, Roberto e Raimundo, para as terras de Aragão na qualidade de refém, para que fosse libertado seu pai desairosamente aprisionado em Junho de 1294 pelo rei Pedro de Aragão, no contexto dos conflitos pela coroa da Sicília, reacendidos com as sangrentas Vésperas Sicilianas.

 

O primeiro ponto de destino é o castelo de Moncada, onde permanecem um ano. Em 23 de  Março de 1289, sabemo-lo nesse local, pois é daí que Raynaud Porcellet informa Carlos II das disposições tomadas  a seu pedido em favor dos seus três filhos detidos.

 

Não assistirá pois à coroação do pai em 29 de Maio desse ano, na catedral de Rieti, por Nicolau IV, o Papa que no ano seguinte assinará a bula que aprova o Estudo Geral criado por D.Dinis.

Estamos em 1290, data para nós celebrável por o erudito rei de Portugal decretar língua oficial o português.

No ano seguinte terão chegado, por certo, notícias de importantes acontecimentos, em que a sua família de Luís está envolvida, ocorridos no final da primavera:

– a queda do Reino latino de Jerusalém, de que o pai de Luís é titular, ao sucumbir às mãos dos mamelucos São João de Acre em 18 de Maio 1291. Não mais restava do que Arouad, que permanecerá nas mãos cristãs até 1302.

– a morte, em 18 de Junho, do irmão mais velho da  rainha Santa Isabel de Portugal, o rei Afonso III de Aragão, de quem Luis é refém. Sem descendência, Afonso deixa os reinos de Aragão, Valência e Maiorca e os condados catalães ao seu irmão Jaime, rei da Sicília, mas sob a condição de que este cedesse este reino ao irmão de ambos Fradrique;

– o assassinato em 10 de Julho,  129   ?,  do tio de Luís, o rei Ladislau IV da Hungria, pelos seus barões, com uma consequente abertura de um período de anarquia. Em 4, ou 20?, de Agosto os nobres húngaros proclamam rei André III. Em 8 de Setembro, o irmão primogénito de Luís, Carlos Martel é coroado, em Nápoles, rei da Hungrria pelos legados do Papa Nicolau IV. 

 

 

 

Em domínios aragoneses permanecerá sete anos.

 

Aí teve contacto próximo com os franciscanos escolhidos para a educação sua e de seus irmãos. Com eles se robusteceu a sua vocação. Tê-lo-á atraído desde cedo a tendência dos franciscanos “espirituais”, a que aliás a sua família foi atreita. No cativeiro se moldou a austeridade do seu caracter, por vezes quase desconcertante.

 

Assim retratará o seu temperamento Fr.Marcos de Lisboa:

 

“E sendo muy manso per misericordia aos bõs & fracos, & humilde, & de muy grata conversação a todos, era com isso muy grande repr~ededor dos vícios, & aspero & riguroso por a justiça aos soberbos que desprezauão o mandamento celeste.”

 

Na sequência duma doença faz votos de tomar o hábito minorita. Não os esqueceria. Reconciliadas as famílias reais de Aragão e Nápoles em 1291, trata-se o casamento do rei Jaime com sua irmã Branca, e pretende-se tratar do seu casamento com a irmã do rei de Aragão, irmã igualmente, recorde-se da rainha Santa Isabel de Portugal. Mas Luís resiste.

 

 

Ainda se encontrava no cativeiro, quando em Julho de 1294 é eleito papa Celestino V. A eleição resulta do próprio, então Pedro del Morone, ter escrito uma carta ao decano do arrastadíssimo conclave que estava reunido em Perugia, Latino Orsini Malabranca, na qual previa sérios castigos para os cardeais se não elegessem rápidamente um papa. Sob sugestão do decano o conclave elege-o por unanimidade A ideia da carta terá sido inspirada por Carlos II…

O pai e o irmão Carlos Martel, de Luís, que tinham pressionado uma deliberação do arrastado conclave, que se sucedera à morte de Nicolau IV em 4 de Abril de 1292, havia mais de dois anos, pegam-lhe nas rédeas na sua entrada solene.

 

Informado da sua eleição, o novo pontífice não se desloca a Perugia, e faz-se coroar na Igreja de Santa Maria de Collemaggio, em Aquila, território napolitano, em 29 de Agosto. Nunca tendo entrado nos Estados Pontifícios, caso único na história. Sob o conselho de Carlos II transfere a curia de Aquila para Nápoles. Eentrega-se nas mãos de Carlos II, até renunciar em Nápoles, no Castelo Novo, em Dezembro ponde termo voluntariamente ao seu curto pontificado, e abrindo o único verdadeiro precedente a Bento XVI.

 

Para os cargos pontifícios são nomeados protegidos de Carlos II. Datarão de então os primeiros rumos eclesiásticos, ainda que não concretizados, de Luís.

 

É bem natural que Carlos II tomando este filho secundogénito, agora com 20 anos, como destinado à vida religiosa, para a qual mostra inclinação, tenha agido junto do papa Celestino V, para encetar o seu encaminhamento nesse sentido.

Uma oportunidade parecia abrir-se com a vacância da arquidiocese de Lyon, pelo promoção a cardeal no consistório de 18 de Setembro do arcebispo Berard de Got, irmão do futuro e controverso papa Clemente V, cuja responsabilidade na extinção dos templários a história teima em não esquecer.

 

Menos de três semanas depois, em 7 de Outubro, Celestino V nomeia Luís, ainda em cativeiro, administrador da arquidiocese de Lyon (não arcebispo). A renúncia papal, e a sucessão de Bonifácio VIII, desvanece tal nomeação.

 

 

4. Libertado em 1295, Luís inicia os seus dois últimos anos de vida, centrados na sua vocação religiosa. Logo ao passar por Montpellier pretende ficar no convento dos frades menores, mas estes temendo o desagrado de seu pai não o aceitam. Obstáculo de percurso. Mal chegado a Itália renuncia os seus direitos em seu irmão Roberto. A questão encontra-se encerrada em Fevereiro de 1296. Por morte de Carlos II, este viria a ser de 1309 a 1343 Roberto I rei de Nápoles e conde da Provença, cognominado o Sábio, rei culto, como o foram por estes tempos nas Hespanhas Afonso o Sábio e seu neto, o nosso Diniz. Liberto das obrigações sucessórias, Luís pode agora receber as ordens sagradas das mãos do arcebispo de Nápoles, na basílica franciscana de São Lourenço Maior. Passo escasso para um príncipe real. Bonifácio VIII concede-lhe em Dezembro de 1296 o bispado sedes vacante de Tolosa, por morte do seu titular. Luís acorre a Roma, mas pretende antes de mais ingressar na Ordem franciscana. Professa efectivamente no convento de Aracoeli, nas mãos do ministro geral Fr.Juan de Muni na noite de Natal. Consagra-o, na basílica constantiniana de São Pedro, no Domingo seguinte, que cai no dia 30, o papa na mitra de Tolosa.

Inicialmente, para evitar as reacções da sua família aceita cobrir o hábito franciscano com os trajes episcopais, mas no dia de Santa Águeda surpreende ao pregar no Vaticano descalço e com o hábito da sua ordem.

 

 

Mas a obrigação chama-o.

Sem excessivas delongas, depois de uma breve e última passagem por Nápoles, dirige-se à sua diocese, dando testemunho de humildade nos conventos onde pernoita, e fazendo um desvio a Paris onde encontra o primo direito de seu pai o rei Filipe IV, o Belo.

Em princípios de Maio de 1297 é recebido em Toulouse com o júbilo e veneração devidos ao seu múnus e à sua linhagem. Não terão deixado de sensibilizar a sua juventude e a sua chegada com um simples hábito franciscano, testemunho da sua radical opção. Estava-lhe na natureza o desprezo do fausto. Governa com grande desvelo. Rigoroso nas suas despesas, conta-se que consagrava os rendimentos da sua diocese aos pobres, dos quais convidava 25 à sua mesa todos os dias servindo-os ele mesmo. Deixa a marca forte de quem encontrara no amor à pobreza o modelo da São Francisco e de Cristo pobre. Reconhece-se, por certo, na sensibilidade das posições dos “espirituais”. Acção intensa e meteórica foi o seu episcopado. Pouco passara de um mês sobre a sua chegada, parte para Aragão com a missão de conciliar seu cunhado o rei de Aragão com o conde de Foix Roger Bernardo III. Por certo conhece então o seu recém nascido sobrinho Jaime, que como ele renunciará a um trono para professar. Consagra a igreja franciscana de Barcelona, como o ficou a atestar uma inscrição epigráfica.

Dirige-se agora a Roma para assistir à canonização do seu tio avô, Luís IX de França, e, admite-se, para pedir ao papa a renúncia da sua mitra. Em Terragona recebe um pedido de seu pai para com ele se ir encontrar em Brignoles. Aí chega já de saúde depauperada,  adoecendo com tal gravidade que a 19 de Agosto faz o seu testamento, no qual destinava sepultura aos  seus despojos mortais, e entre outros dos seus bens dispõe dos seus livros, biblioteca assinalável a que não faltava a relativamente recente Suma Teológica de Tomás de Aquino, em favor de alguns dos seus companheiros e amigos. Não ultrapassaria o meio dessa mesma noite. Contava 23 anos.

 

 

5. Conforme os hábitos da época, que a Igreja não tardará a interditar pela bula papal De Sepulturis de 1300, e em cumprimento do seu desejo são os seus ossos transportados para Marselha para serem sepultados no meio do coro do convento dos Frades Menores, enquanto as suas carnes e entranhas ficam em Brignoles, no claustro do Convento franciscano.

A igreja do convento de Marselha, construído pelos anos de 1220-1230, fora-se tornando local de intensa vida religiosa, a ponto de vir a ombrear com a prestigiada abadia de São Victor. Se os inúmeros milagres ocorridos junto às sepulturas de dois irmãos, que pertenciam à corrente espiritual franciscana, Hugo de Digne ou de Barjols e Santa Douceline, há anos animavam o fervor local, bem cresceria o prestígio conventual, agora reforçado pelo odor de santidade de Luís, de quem prosseguem os milagres que já em vida lhe eram atribuídos, e pela protecção da família do príncipe-santo.

Não evocaremos aqui o rol dos milagres de S.Luis, mas quem quiser pode encontrá-los, dentre a vastíssima bibliografia sobre o santo, na Segunda parte das Crónicas da Ordem dos Frades Menores, dada à estampa em Lisboa, em 1562, por Fr.Marcos de Lisboa, que foi bispo do Porto, e que entre outros méritos tem o de ter sido o primeiro autor a relatar o milagre das rosas da concunhada de São Luís, a nossa rainha Santa Isabel.

 

 

 

6. Mercê da fama da sua santidade, asceticismo, espiritualidade, humildade e caridade, e das empenhadas diligências da sua família real, encabeçada por seu pai e depois por seu irmão, bem mais, aliás, do que pelas da sua ordem franciscana, viria a ser canonizado, como Santo confessor, ou seja em linguagem simples santo não mártir, por João XXII, que quando era ainda Jacques Duèze o acompanhara e que por nomeação de seu pai fora chanceler da Provença. A bula é publicada em Avinhão, em 7 de Abril de 1317, na presença de seu irmão Roberto I rei de Nápoles. Teria 43 anos se fosse vivo.

 

Não tardou em espalhar-se o seu culto, naturalmente projectado por duas forças institucionais: os seus régios parentes e a Ordem franciscana. Recorde-se que esta, em 1316, conta com nada menos de 34 províncias, 197 custódias, 1407 conventos e cerca de 45.000 \religiosos.

 

A humildade, de cariz franciscana, que procurara em vida, foi celebrada com a magnificência devida a um príncipe, depois da morte.

A sua linhagem celebrou-se a si própria celebrando-o, fazendo da sua renúncia instrumento de sublimação.

 

O sermonário apologético, a sumptuosidade dos relicários, a pujante iconografia celebram esse príncipe sublimado pelos votos franciscanos, rebento, desaparecido na flor da idade, de cepa régia (capetíngia) enxertada de santos.

 

Não tinham passado três meses sobre a sua canonização sem que seu irmão Roberto I, que na ocasião compôs o ofício Tecum, chamasse a Nápoles, logo em Junho de 1317, Simone Martini, a quem nomeia cavaleiro concedendo-lhe uma pensão anual e encarregando-o de pintar uma tábua celebrativa. Mais do que uma consagração iconológica da canonização é uma verdadeira apologia da casa Anjou, esse São Luís de Tolosa coroando seu irmão Roberto de Anjou, que se conserva no Museo di Capodimonte em Nápoles. Obra prima em que figurara o mais antigo retrato individualizado da pintura italiana: o do próprio Roberto I.

 

Em 1319 é com sumptuosidade que Roberto promove e assiste à elevação das relíquias de São Luís transferidas por quatro cardeais para trás do altar-mor do igreja franciscana em que fora sepultado.

A imagem aureolada do franciscano de ar jovem com trajes episcopais, sob os quais se vê por vezes o seu hábito de minorita escondido, ilustra frescos, tábuas, telas, pergaminho, papel  ou vitrais e esculpe-se na pedra. Com ou sem as restantes insígnias episcopais: mitra, báculo e luvas, segurando ou não um livro; eventualmente com capa pluvial azul, a que não raro faltam as flores de lis e o alamar heráldico que arvora as armas da Casa de Anjou e das suas ligações; frequentemente com a evocação da coroa a que renunciou – aos pés, na mão esquerda, ou mesmo, como no quadro de Simone Martini, sobre a sua cabeça segura por dois anjos -; algumas vezes com uma flor como atributo; imberbe ou até mesmo com barba como na Igreja do seu orago em Pinhel. Descalço, com sandálias, ou sem os pés visíveis, a sua representação isolada ou acompanhando Nossa Senhora, santos familiares ou franciscanos, peregrinou, não poucas vezes, de igrejas, capelas e conventos para museus.

Artistas como Donatello, Ugolino di Nerio, Luís Brea, Giotto, Bartolomeo Vivarini, Piero della Francesca, Le Pérugin, Bellino Giovani, Pordenone, Cavaro Pietro, Tintoretto, Bonifacio Veneciano, della Robbia, Le Gros e Nocret, deram-lhe vida com os seus pincéis e cinzéis.

Quisera Luís ter sido rei e não encontraria a sua memória tal plêiade de artistas.

 

 

Ao seu túmulo irão reis, príncipes e nobres, cardeais, bispos e simples frades, burgueses e simples povo. As suas relíquias serão cobiçadas e os seus ossos peregrinarão. Afonso V de Aragão, o Magnânimo, quinto neto de Branca de Anjou, irmã do santo, saqueando Marselha, levará em 1423 o que deles não tinha sido retirado, do esconderijo em que os tinham querido salvaguardar. Depois de peregrinarem com o rei aragonês são depositados na catedral de Valência, onde permanecem. Do convento franciscano marselhês nada resta, arrasado que foi em 1524 por imperativo de resistência ao cerco das tropas de Carlos V, comandadas pelo condestável de Bourbon. Por isso quando, em 1956, por compromisso entre os arcebispos de Valência e Marselha, são devolvidas duas das vértebras a esta cidade, são depositadas na igreja dos agostinhos. Mas, pasme-se, ainda aqui não acabaria a preregrinação das relíquias. Em 1993 são roubadas, continuando-se sem saber do seu paradeiro.

O culto de S.Luís, vivo em tantas das terras que calcorreou e de que é padroeiro como Brignoles, Nápoles, Toulouse, Marselha, Tarragona ou Valência, espalhar-se-á além zona mediterrânica, por outras terras
de línguas várias …, sem que o mar fosse entrave, ou que a Califórnia ou as Filipinas fossem demasiado longínquas.

 

 

 

7. Por não pisar São Luís terras de Portugal, não deixou a brisa da sua fama de nelas soprar.

Contra cunhado da rainha Santa Isabel de Portugal, cuja devoção por ele foi referenciada, notabiliza-o entre nós o ter a sua intercessão salvo o rei D.Dinis de morrer às mãos de um urso, milagre do qual surgiram várias evocações: em S.Pedro de Pomares, em São Francisco de Beja, na Igreja do Convento de Santa Clara em Coimbra. Quiçá a figura hoje desaparecida da tampa sepulcral de D.Dinis não representasse outro que o santo bispo mitrado de Tolosa. Bem houve quem quis ver neste milagre a causa da fundação dionisiana do mosteiro de S.Dinis de Odivelas, do que foi eco mor Fr.António Brandão na sua Parte V da Monarquia Lusitana. Penso já oportunamente termos provado não poder ter fundamento tal asserção, o que não impede que  no seu terceiro e último testamento, já de 1324, mande aos testamenteiros, que façam uma capela a S.Luís bispo de Tolosa naquele e que aí ponham dois capelães que cantem nesta Capela para sempre à honra desse santo por alma do rei.

Não fazia, aliás, mais do que estar em consonância com os reis coevos seus parentes, na evocação de um príncipe aparentado ou contra-aparentado com múltiplas casas reais  – Nápoles, Hungria, França, Aragão, Navarra, Portugal,… – que atingira as auras da santidade.

 

Não faltaram em Portugal invocações suas, que o Atlântico não impediu que chegassem ao Brasil. Ainda presentemente (2013) se acaba a reconstrução da Igreja de São Luís de Piratinga, na cidade do mesmo nome e patrono, que uma inundação derrubou, conjuntamente com cerca de outros 300 edifícios, em Setembro de 2011.

Por terras brasileiras foi padroeiro do Seminário seráfico do rio Negro, e do convento e igreja de seu nome em Itu no actual Estado de São Paulo, onde no final do séc.XIX começaria a funcionar o colégio que igualmente invocava o seu nome.

 

Nos finais do séc.XVI parece dar-se um surto de reinvocação de S.Luís. Não só Luis de Figueiredo Falcão funda o convento em Pinhel sob aquele orago, como o seu parente D.Luís Figueiredo de Lemos, bispo do Funchal (1585-1608), funda uma capela junto ao seu Paço episcopal da mesma invocação. É por então também que em Pias não muito longe de Tomar se funda em 1588 uma igreja em honra do mesmo patrono. Pouco mais tarde, em 1602, é publicada, em Antuérpia, a biografia Sancti Ludovici, Caroli I, regis Siciliae filii, ex Ordine Minorum, episcopi Tolosani, vita, da autoria de Henricus Sedulius.

 

Não seria esquecido nas encomendaspara Mafra sendo representado conjuntamente com São Boaventura e São Bernardino de Siena em 1755.

O culto de São Luís estende-se igualmente para o sul do país. E não só em época de D.Dinis. No séc.XVIII tinha honras de altar na Igreja paroquial de Santa Margarida de Peroguarda no concelho de Ferreira do Alentejo, em Aljezur e em Faro. Não ficou por lá esquecido na memória do passado. Ainda em 1992 se erigiu a paróquia de São Luís em Faro ao tempo em que se construía uma nova igreja de São Luís, dedicada em 21 de Junho de 1992, que julgamos ser o mais recente orago, e onde se encontra uma imagem do patrono.

Padroeiro e protector, de cidades –   como Brignoles, Cáceres, Málaga, Serravale, Valência ou São Luís de Piraitinga – , dos reféns, dos tuberculosos e doentes de pneumonia, … é, nas nossas terras além Tejo considerado como o protector dos gados.

 

8. O correr do tempo, obriga-nos a regressar ao Convento e Igreja de Pinhel. É certo que a imagem que se encontra no nicho do seu Altar-mór não prima pela qualidade artística e que se afigura duvidosa a sua fidedignidade iconográfica. É certo que muitos, pouco mais sabem deste São Luís de que é o São Luís de Pinhel. Que importa? Há mais de 400 anos que o orago se mantém e quanto à história estamos sempre a tempo de relembrá-la…

DA DIGNIDADE DE MARECHAL E DOS SEUS TITULARES EM PORTUGAL ATÉ AO SÉC.XVII

FERNANDO LARCHER

DA DIGNIDADE DE MARECHAL

 

 

 

E DOS SEUS TITULARES EM PORTUGAL

 

 ATÉ AO SÉC.XVII

Nota Sumária

2012

I

 

Da Dignidade de Marechal em Portugal

1. Do aparecimento de título de marechal em Portugal; 2. do regimento do marechal; 6. o novo posto de marechal dos meus exércitos criado em 1762.

1. A dignidade de marechal (marechal da hoste) aparece em Portugal, simultaneamente com a de condestável, com a vinda dos auxiliares do conde de Cambridge, em 1381 ou 1382[1]:

“Onde sabee que neeste tempo e em esta hida, se começarom dous offiçios em Portugal novamente, que ataa estomçe em el nom avja, a saber, Comdeestabre, e Marichal; e tomado tal costume dos Imgreses que entom veherom, fez elRei comde estabre o comde Darrayollos Dom Alvoro Perez de Castro, e marichal Gomçallo Vaasquez Dazevedo. E se alguem disser, quem husava ante das cousas que a estes cavalleirosos offiçios perteemçe, dizeelhe que fazia todo o Alferez moor; […].”

O primeiro marechal de França fora Henrique I Clement[2] (+1124), designado por Filipe Augusto em 1185.

As novas dignidades são introduzidas em Portugal em plena terceira guerra fernandina contra Castela e, por isso, tradicionalmente associadas à influência do exército do conde de Cambridge sobre a organização militar portuguesa da época.

2. Segundo o regimento inserto no título LIII do Livro I das Ordenações afonsinas o marechal é “o maior e mais honrado officio da hoste” imediatamente inferior à de Condestável a quem substituía na sua falta.

O mesmo Livro I das Ordenações afonsinas ocupa-se nos títulos LI a LVI das matérias militares, tratando sucessivamente do Regimento da Guerra, e dos ofícios de Condestável, Marechal, Almirante, Capitão Mor de Mar e Alferes Mor de El-Rei.

3. No regimento da menoridade de D.Afonso V estabelecia-se “Nom fazer Marichal” e na Declaração de D.Manuel de como se havia de governar o Reyno de Portugal, depois que seu filho D.Miguel da Paz herdasse Castela, estabelecia-se que o ofício de Marechal não possa senão ser de portugueses.

II

 

Dos Titulares da Antiga Dignidade de Marechal em Portugal

1. as três linhagens detentoras da dignidade de marechal em Portugal: Azevedo/Coutinhos, Pereiras, condes de Serém; 2. do primeiro marechal, Gonçalo Vasques de Azevedo (+1385): em tempos de D.Fernando; perante a crise de 1383-85; 2. dos dois marechais nomeados por D.João I na família de D.Nuno Álvares Pereira; 3. de Gonçalo Vaz Coutinho, o terceiro dos marechais nomeados por D.João I, e dos Coutinhos marechais hereditários do reino (sécs.XIV-XVIII); 4. dos Condes de Serém marechais e da extinção do título.

1. A antiga dignidade de marechal, que dura quase três séculos, esteve centrada na mão de três linhagens: a do primeiro marechal, que se prolonga em seu genro Coutinho e respectiva descendência; a dos Pereiras, intercalada na anterior no reinado de D.João I; e, por fim, a dos Condes de Serém.

Gonçalo Vasques de Azevedo,   e depois de uma intercalação (dos Pereiras), seu genro Gonçalo Vasques   Coutinho, e respectiva descendência 1º, 4º a 9º marechais
Pereiras 2º e 3º marechais
Condes de Serém 10º e 11º marechais

AS TRÊS LINHAGENS   DETENTORAS DA DIGNIDADE DE MARECHAL

2. É primeiro marechal em Portugal Gonçalo de Vasques de Azevedo, senhor da Lourinhã e Alcaide de Torres Novas, a quem D.Fernando dá esta dignidade em 1382.

Gonçalo Vasques de Azevedo, senhor da Lourinhã desde 1373[3], era filho de D.Francisco Pires prior de Santa Cruz de Coimbra e de uma monja do Lorvão Teresa Vasques de Azevedo sobrinha do alferes mor Gonçalo Gomes de Azevedo

D.Francisco Pires                    de                  Teresa Vasques de Azevedo

Prior de Santa Cruz de Coimbra                                       Monja de Lorvão

GONÇALO VASQUES DE AZEVEDO      oo           D.Inês Afonso

1º marechal de Portugal                              cunhada de D.,Leonor de Teles

l

_________________________________

GONÇALO VASQUES COUTINHO oo D.Leonor Gonçalves de Azevedo               Álvaro Gonçalves oo Sancha Andeiro

4º marechal de Portugal                                                                                                          f.João Fernandes Andeiro

PARENTESCO ENTRE O 1º E O 4º MARECHAIS

De Gonçalo Vasques de Azevedo dá Fernão Lopes notícias várias, nomeadamente que é enviado. Por D.Fernando, com o conde de Arraiolos ao rei de Castela e que se recusa a ir ao saimento do mês de D.Fernando.

Porém, figura entre os fidalgos que apoiaram D.Leonor Teles em Santarém e que receberam D.João I de Castela e D.Beatriz em meados de Janeiro de 1384, quando entraram nessa vila.[4] Os monarcas albergaram-se mesmo em sua casa.

Tendo ido, com seu filho, para Castela, onde foi nomeado adiantado de Castela a Velha, foi objecto de penalizações pelo regente de Portugal.

Viria a morrer, como seu filho, na batalha de Aljubarrota.[5]

3. Em tempo delrei D.João I são nomeados três marechais, dos quais os dois primeiros são respectivamente primo direito e primo segundo de D.Nuno Álvares Pereira:

O primeiro, consequentemente segundo marechal, é Álvaro Pereira[6] (1385-1386), eleito para o cargo pelas Cortes de Coimbra de 1385, onde esteve pelo braço da nobreza, ainda em vida do primeiro marechal.

Desempenhou o cargo pouco mais de um ano porque já era falecido em 19 de Agosto do ano seguinte

Era filho de Rui Gonçalves Pereira e neto do arcebispo primaz D.Gonçalo Pereira, também avô de D.Nuno Álvares Pereira, sendo consequentemente primo deste.

Foi senhor da terra da Feira

Casou com D.Mécia Vasques, filha de Vasco Martins Pimentel. Dum filho destes, João Álvares Pereira, procedem os condes da Feira.

Faleceu, quando regressava do cerco de Coria em Julho de 1386.

D.Gonçalo Pª

_________________________________________________

D.Gonçalo Pª                                                                              D.Rui Gonçalves Pª

Bispo de Lisboa e Arcebispo primaz

____________________________________

D.Álvaro Gonçalves Pª                 Rui Gonçalves Pª               D.Aldonça Rodrigues Pª  x  D.Gonçalo Nunes Camelo

PH

______________________________

D.Nuno Álvares Pª     D.Pedro Álvares Pª      ÁLVARO Pª                           D.FR.ÁLVARO GONÇALVES CAMELO

Condestável                    PH                      + Jul.1386                                                                            PH

+ 1324

PH – Prior do Hospital

OS PEREIRAS, 2º e 3º MARECHAIS DE PORTUGAL

Genealogia simplificada

O segundo, o 3º marechal, é D.Fr.Álvaro Gonçalves Camelo[7] (+1423), que se passaria para o lado castelhano.

Uma inscrição funerária, gravada em tampa de sarcófago, atesta a sua sepultura na Igreja Matriz de São Pedro da Sertã:[8]

DOM FREJ ALVARO GONÇALVEZ CAMELO PRIOR DO HO/

NA ERA DE MIL E CCC E L <XI> ANO

Da confiança de D.João I foi por este, depois da morte do segundo marechal, nomeado marechal do Reino e Meirinho Mor de Entre Douro e Minho e Trás os Montes

O Livro das Linhagens de D.Pedro refere que D.Álvaro era filho de D.Aldonça Rodrigues Pereira e de D.Nuno Gonçalves Camelo e que aquela era filha de D.Rui Gonçalves Pereira, meio irmão do bispo de Braga D.Gonçalo Pereira.

Indica também o conde D.Pedro, que D.Álvaro Gonçalves Camelo era criado do Prior do Hospital D.Álvaro Gonçalves Pereira.

Numa escritura datada de Arrifana de Sousa, 7 de Fevereiro de 1394, aparece referido com os títulos de Marechal, Prior do Crato e Meirinho Mor de Entre Douro e Minho[9]

Em 1396 foi preso no Castelo de Coimbra e privado de tudo. No ano de 1398 congraçou-se com o Rei por intercessão de seu primo D.Nuno Álvares Pereira, mas em 1399 passou-se ao serviço de Castela. D.João privou-o então de tudo o que possuía. Voltaria reconciliado com D.João I em 1403. [10]

4. Durante dois séculos e meio a dignidade de marechal de Portugal vai-se manter hereditariamente num dos ramos da família Coutinho.[11]

Com efeito, D.João I faz Gonçalo Vaz Coutinho[12] marechal de Portugal, o quarto neste reino, o qual era casado com D.Leonor Giz de Azevedo, filha do 1º marechal.[13]

Alcaide mor de Trancoso quando da morte de D.Fernando, segue o partido do mestre de Avis, ilustra-se como o vencedor e herói da batalha de Trancoso em 1384.

No ano de 1405 foi condenado nas custas, por ter comprado umas casas clandestinamente junto ao muro de Pinhel.[14]

Seguiu na frota que a 25 de Julho de 1415 partiu para a conquista de Ceuta, e por carta dada em Ceuta em 24 da Agosto, D.João I doa-lhe várias terras, que de juro e herdade lhe fizera doação D.Fernando por carta de 23 de Julho de 1383, mandando que estas terras se incorporem no couto de Leomil, e que o marechal e os seus descendentes se possam intitular senhores do couto de Leomil.

Morre pouco depois.

Do seu referido casamento com Leonor Gonçalves nasceu Vasco Fernandes Coutinho, com o qual se inicia a casa condal de Marialva, que se extiguirá com D.Guiomar Coutinho casada com o Infante D.Fernando, filho de D.Manuel I.

Casou, precedendo contrato aprovado pelo rei em12 de Maio de 1412, com D.Maria de Sousa, filha legitimada[15] de D.Lopo Dias de Sousa, mestre da Ordem de Cristo

Em 1437 assina com os infantes D.Fernando e D.Henrique, com o conde de Arraiolos, com o bispo de Évora e com o capitão-mor do Mar Álvaro Vaz de Almada, as estipulações de Tânger, na sequência do desastre das tropas portuguesas. É ele que em Novembro de 1438 chefia a conjura dos fidalgos em defesa de D.Leonor contra o infante D.Pedro. Tal não impedirá que venha a ser criado conde de Marialva por carta passada em Montemor o Novo em 12 de Outubro de 1440, por autoridade do Infante D.Pedro regente. Passou a partir de então a utilizar o título de Dom.

Das suas prepotência rezam os registos das queixas dos povos: dos procuradores de Lamego nas Cortes de Torres Vedras de 1441, do Concelho de Pinhel nas mesmas Cortes, da região de Riba Côa nas Cortes de Évora de 1444, e do Concelho de Lamego, já depois da sua morte, nas Cortes de Lisboa de 1459.

Combateu em Alfarrobeira, em Maio de 1449, contra o Infante D.Pedro, e faleceu já depois de 13 de Outubro de 1450.

GONÇALO VASQUES DE AZEVEDO

1º Marechal de Portugal

e Senhor da Lourinhã

I

D.Leonor Giz de Azevedo   oo   GONÇALO VASCO COUTINHO

4º Marechal de Portugal

Senhor do Couto de Leomil

Meirinho mor, por D.Fernando, na comarca da Beira

l

VASCO FERNANDES COUTINHO[16]     oo                           D.Maria de Sousa

5º Marechal de Portugal                                f.de D.Lopo Dias de Sousa. Mestre da OC

1º Conde de Marialva                    l              e de Leonor Ribeiro. Legit.em 3 Jan.1398

l

___________________________________

D.Gonçalo Coutinho               D.FERNANDO COUTINHO   oo   D.Joana de Castro

2º Conde de Marialva                          1º do nome                     f.do 1º Conde de Atouguia

6º Marechal do Reino

+ na tomada de Calecute,  Jan.1510

l

D.ÁLVARO GONÇALVES COUTINHO oo D.Brites de Melo Soares

7º Marechal do Reino,                   l

por desistência de seu pai               l

4º capitão donatário da Graciosa          l

+ na Índia, 1524                      l

________________________________________

D.Álvaro Coutinho                               D.FERNANDO COUTINHO oo D.Leonor de Menezes

5º capitão donatário da Graciosa                              2º do nome

entre 1524 e 1552                                     8º Marechal do Reino          l

+ Alcácer-Quibir, 1580          l

l

D.FERNANDO COUTINHO

3º do nome

9º Marechal do Reino

+ Pinhel, Set.1636

OS COUTINHOS MARECHAIS DO REINO

Do 4º ao 9º Marechal

Linhagem extinta em 1636

Genealogia Simplificada

Ao conde D.Vasco sucede como 6º marechal seu filho secundogénito D.Fernando Coutinho[17], o 1º deste nome.

Em 22 Maio de 1476, D.Afonso V faz-lhe doação da vila de Pinhel e seu termo, com toda a sua jurisdição civil e crime[18]. No mês seguinte, em 5 de Junho, uma carta de D.Afonso V atribuí-lhe poder para apresentar as pessoas que de três em três anos hajam de ser coudéis na vila de Pinhel e em todas as outras suas terras[19]

Em breve assumirão relevância os conflitos entre os Coutinhos e a vila de Pinhel. Já no início do reinado de D.João II, em Julho de 1481, uma sentença régia condena a participação de Francisco Coutinho num ataque a Pinhel durante os conflitos que opuseram o concelho a seu tio Fernando Coutinho, marechal de reino[20]

Em 1503 está presente no Capítulo da Ordem de Cristo em Tomar, onde aparece referido como D.Fernando marechal. A sua comenda da Reigada, no actual concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, é uma das visitadas na Beira em 1507.

Em 12 de Março de 1509 o marechal D.Fernando Coutinho[21]  parte de Lisboa capitaneando uma armada de 15 naus dirigida à Índia, onde vai por fim às discórdias entre D.Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque a quem entrega o governo nos termos das instruções de D.Manuel.

No Oriente morrerá, em 4 de Janeiro de 1510, na tentativa de tomada de Calecute.

D.Álvaro Gonçalves Coutinho será 7º marechal de Portugal, por desistência de seu pai[22].

D.Manuel doou-lhe a ilha Graciosa, por carta de 3 Ago.1510[23], sendo o seu 3º capitão donatário.

Casou com D.Brites de Melo Soares, filha de Rui Gomes de Alvarenga, alcaide mor de Torres Vedras, conde Palatino, embaixador a Roma.

Por sua morte, ocorrida na Índia, em 1524, o seu filho primogénito D.Álvaro Coutinho[24], sucederá como 4º capitão donatário da Graciosa. Seu filho mais novo D.Fernando, o 2º do nome, sucederá como 8º marechal de Portugal, Alcaide mór de Pinhel, senhor e comendador da vila da Graciosa, que casou com D.Leonor de Menezes filha de Antonio Correia de Atouguia, alcaide mór de Vila Franca de Xira e 4º senhor de Belas. Morreu na batalha de Alcácer Quibir[25].

Nas Cortes de 1535, em que foi jurado o príncipe D.Manuel filho de D.João III, quem o tinha nos braços era a irmã do marechal, D.Guiomar Coutinho.

Do casamento de D.Fernando nasce o seu filho homónimo que lhe sucede como 9º marechal de Portugal, o 3º deste nome, último da linhagem dos Coutinhos. Sucedeu na Alcaidaria mór de Pinhel. Prestou juramento no acto de alevantamento e juramento de Filipe I de Portugal em Tomar.

Escreveu Lembranças que deu por escrito a seu filho D.Alvaro, partindo este e seu irmão D.Francisco para se embarcar na armada, que no anno de 1624 foi soccorrer a Bahia de Todos os Santos. É datada de 26 de Setembro desse ano.[26]

Faleceria em Pinhel, em 20 Junho de 1636, sendo sepultado na igreja da Misericórdia, donde não seria tresladado para Lisboa como solicitava no seu testamento.

5. Por morte de D.Fernando Coutinho, ocorrida, como referido, em Pinhel em 1636, é dada a alcaidaria mor de Pinhel a Diogo Soares, secretário de Estado, e o ofício de marechal, o 10º de Portugal, a D.Fernando Mascarenhas, conde de Serém, por carta de Filipe III, feita em Madrid em 2 de Setembro de 1639[27].

Este D.Fernando era filho 5º do Marquês de Montalvão, D.Jorge, título criado em 29 de Agosto de 1639 por Filipe III. Tendo acompanhado seu pai quando este foi como Vice-Rei para o Brasil, é enviado a D.João em 1641 como mensageiro da adesão do Brasil à Restauração

O monarca restaurador eleva-o a 1º Conde de Serém, por carta de 20 de Outubro de 1643. Em 1645, em plena guerra da restauração, era governador da Beira.

Do seu casamento com D.Leonor de Menezes[28] (+Out.1649), nasceu D.Jorge de Mascarenhas, que viria a ser 2º conde de Serém e 11º e último Marechal de Portugal, neste sentido tradicional, em 1650, e que morreria novo sem estado nem descendência.

O título de Marechal vai ficar extinto por cerca de um século. Só em 1672 é criado o posto militar de marechal dos meus exércitos para substituir o de capitão-general, sendo o conde de Lippe nesse mesmo ano nomeado marechal-general.


[1] 1382 escreve GAMA BARROS, HAP, t.III, p.213, que aduz FERNÃO LOPES, Crónica de D,Fernando, cap.150. No mesmo sentido de 1382, JOÃO GOUVEIA MONTEIRO, A Guerra em Portugal nos finais da Idade Média, Lisboa, 1998, p.223.

[2]

[3] D.João I retirará o lugar da Lourinhã a Gonçalo Vasques de Azevedo, por seguir o partido de Castela, dando-o ao arcebispo D.Lourenço.

[4] FERNÃO LOPES, Crónica de D.João I, v.I, cap.LXII, p.121-122.

[5][5] A seu respeito, HUMBERTO BAQUERO MORENO, “Exilados portugueses em Castela durante a crise dos finais do século XIV (1384-1388) in Actas das II Jornadas Luso-Espanholas de História Medieval, v.I, Porto, 1987, p.69-101, maxime p.81-82.

[6] A seu respeito, Monarquia Lusitana, Parte VIII, p.690.

[7] A seu respeito, Monarquia Lusitana, Parte VI, p.213-215 e 416.

[8] Vide BARROCA, Epigrafia medieval portuguesa, II, 2, p.2145-2153, nº749.

[9] Monarquia Lusitana, Parte VI, p.213-214.

[10] Vide Monumenta Henricina, I, p.304.

[11] LUIS FILIPE OLIVEIRA, “Entre a História e a Memória; Os Coutinhos e a Expansão Quatrocentista” in Anais de História de Além-Mar, v.II, p.115-126.

[12] A seu respeito, Monarquia Lusitana, Parte VIII, p.689-690.

[13] Cfr.FELGUEIRAS GAYO, Nobiliário, v.IV, p.11. No mesmo sentido, p.153, a propósito de D.M.ªda Cunha.

[14] VITERBO, Elucidário, p.406.

[15] Carta de 3-I-1398.

[16] Vide uma síntese biográfica in HUMBERTO BAQUERO MORENO, A Batalha de Alfarrobeira, v.II, Coimbra, 1980, p.792-795.

[17] Vide LUIS GASPAR RODRIGUES, “As Linhagens secundárias dos Coutinhos e a construção do Império Manuelino” in A Alta nobreza e a fundação do Estado da Índia.

[18] ANTT, Livro 2 da Beira, f.124-125. Transcrito in ILÍDIO DA SILVA MARTA, Pinhel Falcão, 2ª ed., 1996, p.76-77.. Vide FERNANDO LARCHER, Anais da Beira Côa, 1476.

[19] ANTT, Chancelaria de D.Afonso V, liv.7, f.27. Transcrito in ILÍDIO DA SILVA MARTA, Pinhel Falcão, 2ª ed., 1996, p.78.

[20] Vide BAQUERO MORENO, “Um conflito em Pinhel e seu termo no século XV” in Marginalidade e Conflitos Sociais em Portugal nos Séculos XIV e XV. Estudos de História, Lisboa, 1985.

[21] HGCRP, t.XII, Parte I, p.220-221.

[22] Cfr.FELGUEIRAS GAYO, Nobiliário, v.IV, p.15.

[23] Arq.dos Açores, v.I

[24] A seu respeito HGCRP, t.IX, p.39 e 106.

[25] HGCRP, t.IX, p.62.

[26][26] Apud Memorias da literatura portugueza, publicadas pela Academia Real das Sciencias de Lisboa, t.III, 1792, p.36.

[27] ANTT, Chanc.1639, liv.36, p.130.

[28] HGCRP, t.XI, p.413.

ANAIS DA BEIRA CÔA 2

 

 

A BEIRA CÔA DO INÍCIO DA RECONQUISTA

À DEFINITIVA INTEGRAÇÃO DE RIBA CÔA EM PORTUGAL

Séc.X – 1297

 

 

 

 

Introdução ao Período

Cap.I. A Beira Côa do Início da Reconquista Leonesa à Criação do Condado Portucalense (séc.X – fim do séc.XI)

Cap.II. Depois da Criação do Condado Portucalense: (fim do séc.XII-c.1161)

Cap.III. A Beira Côa sob o Indiscutível Domínio Leonês (c.1161-1297)

 

 

 

A BEIRA CÔA DO INÍCIO DA RECONQUISTA LEONESA

À CRIAÇÃO DO CONDADO PORTUCALENSE

Séc.X – final do Séc.XII

 

912? Datação em inscrição, hoje desaparecida, comemorativa da construção de um templo cristão em Trancoso.[1]

 

960 – D.Chama ou Chamoa (ou na fórmula latina Flâmula) Rodrigues, achando-se gravemente enferma no mosteiro de Guimarães, dá amplos poderes a sua tia D.Mumadona para dispor do que lhe pertencia. Destes bens manda vender os castelos de Trancoso, Moreira, Longroiva, Numão, uacinata (?), amindula (?), seniorzelli (?), Caria e outros montes e terrenos que estão na Estremadura[2]

“Ordinamus nostros castellos id est Trancoso moraria longobria naumam nacinata amindula pena de dono alcobria seniorzelli Caria cum allias penelas et populaturas qui sunt in ipsa stremadura”[3]

 

Afonso V

Rei de Leão 999-1027

Bermudo III

Rei de Leão 1027-1037

1030 – os irmãos Tedom e Rausendo Ramires conquistam Numão

Fernando I, Magno,

O reconquistador da Beira Côa

rei de Leão, 1037-1065

 

1039 – Fernando Magno inicia a conquista da região transcudana. Conquista Almeida aos mouros

Primeira referência documental à Região de Riba Côa, na História dos Godos, ao referir as conquistas de Fernando I, o Magno:

“Era MLXXVII [1077 = 1039] capiuntur in Extremadurii multae populationes cis et cintra villam Turpini, Talmeida, Egitania, et usque ad ripam Tagi”.

1055-1056 – Fernando Magno conquista Numão

1059 – no inventário das propriedades do convento de Guimarães aparecem os castelos referidos no testamento de D.Flâmula de 960

1057-1058 – conquista por Fernando Magno de Trancoso

1063 – Fernando Magno conquista Marialva

1064

25 Jul.- Fernando Magno conquista Coimbra

 

Afonso VI

Rei de Leão 1065-1109

 

Finais do séc.XI investida almorávida

c.1071 – os mouros conquistam Almeida

1071 – D.Garcia (+Luna, 1090), rei da Galiza e de Portugal é vencido pelos seus irmãos Sancho II de Castela e Afonso VI de Leão, sendo aprisionado pelo primeiro em Santarém. Sancho tê-lo-ia aprisionado, algum tempo em Alfaiates, onde lhe teriam sido arrancados os olhos.

1085 – Afonso VI conquista Toledo

 

A Ameaça Almorávida

1086-1147

 

 

 

CONQUISTAS CRISTÃS AOS MOUROS

 

 

1030 Numão Taudom e Rosendo Ramires
 

1039     Fernando Magno (1037-1065) inicia a reconquista da região Transcudana

 

1039 Almeida Fernando Magno
1055-1056 Numão Fernando Magno
1057-1058

 

Trancoso Fernando Magno
1063

 

Marialva Fernando Magno

 

 

DA CRIAÇÃO DO CONDADO PORTUCALENSE

À INTEGRAÇÃO DEFINITIVA DE RIBA CÔA EM PORTUGAL

 

1097-1297

§ 1º. Da criação do Condado Portucalense ao terceiro quartel do séc.XII

§ 2º. A Beira Côa sob o indiscutível domínio leonês (terceiro quartel do séc.XII-1296/7)

§ 1º

DA CRIAÇÃO DO CONDADO PORTUCALENSE

AO TERCEIRO QUARTEL DO SÉC.XII.

RIBACÔA PORTUGUESA OU LEONESA?

1093 – finais do terceiro quartel do séc.XII

 

INTRODUÇÃO AO § 1º

 

Com a criação do Condado Portucalense, em 1097, a Beira Transcudana fica integrada no novo Condado. E a região Ribacudana? Terá estado inicialmente, durante perto de 70 anos, sob a influência portuguesa, passando no final do terceiro quartel do séc.XII para o domínio leonês, até em 1296 ter sido definitivamente conquistada por D.Dinis.

 

 

D.Teresa

Condessa de Portucale 1093-1128

 

Trancoso faz parte do dote de D.Teresa

D.Urraca

Rainha de Leão 1109-1126

1124

26 Out.            D.Teresa, em Sernancelhe, dá foral a Longroiva. Será confirmado, em Fev.1220, por D.Afonso II em Pinhel[4]

Afonso VII

R.de Leão 1126-1157

Afonso Henriques

Conde de Portucale e depois R.de Portugal 1128-1185

 

1130

8 Jul. – D.Fernão Mendes de Bragança dá foral a Numão[5]. A carta de foral descreve o termo do novo município: a Norte o limite era Douro; a poente Custóias, hoje freguesia do concelho de Vila Nova de Fozcôa; a sul uma calçada, talvez velha estrada romana, atingindo a ribeira de Duas Casas, próximo da sua confluência com a de Tourões; a nascente seguia o curso do Águeda até o Douro.[6]

 

c.1143/1147 a reconquista está na linha do Tejo?)

 

1145

10 Jun.            os templários recebem por doação de D.Fernão Mendes, de Bragança, e de sua mulher D.Sancha, irmã de D.Afonso Henriques, sobre a fronteira do leste, o castelo de Longroiva, situado no território da metrópole bracarense, entre o castelo de Numão e o de Marialva e o rio Côa.[7]

Nesse documento D.Fernão afirma ter povoado Longroiva:

“… facia cartam testamenti et firmitudinis illis militibus… de castello meo quod populavi en Extremadura, et illud castellum vocatur Longroiva habet que jacentiam in território Bracharensi metropoli…”[8]

 

A doação terá ocorrido no tempo de D.Hugo Martoniense, no último ano em que D.Fernão Mendes ocupava o cargo de tenens de Bragança e Lampaças

 

 

Fernão Mendes de Bragança

Dá foral a Numão em 1130

l

pai? de

l                                                    _______________________________________

Mendo Fernandes de Bragança   oo   D.Sancha*                                                 Afonso Henriques

Doam Longroiva aos Templários em 1145

Alferes-mor de D.Afonso Henriques

Maio 1146-Jan./Fev.1147

Primeiro Alferes-mor de Fernando II

9 Out.1157-24 Mar.1159

Terá sido quem sugeriu a Fernando II a criação

                        de Ciudad Rodrigo?

MENDO FERNANDES DE BRAGANÇA

_________________________________________________________________________________

   + Irmã ou filha de D.Afonso Henriques?

 

 

LONGROIVA

   

SEDES MATERIAE

960 Flâmula   dá poderes a sua tia D.Mumadona Dias para vender o castelo  
1059 O   castelo aparece referido no inventário das propriedades do convento de   Guimarães  
1145 Fernão   Mendes e sua mulher D.Sancha, irmã de D.Afonso Henriques, doam o castelo à   Ordem do Templo  
1176 É   edificada a torre do castelo por ordem de Gualdim Pais  
1319 Longroiva   passa para a Ordem de Cristo  

 

 

 

A INSTALAÇÃO DAS ORDENS MILITARES NA   BEIRA CÔA

NO SÉC.XII

PORTUGAL

LEÃO

 

TRANSCÔA

V

Ordem do Templo

Fundada na Terra Santa

Instalada em Portugal no tempo de   D.Teresa

Sediada desde 1145

em Longroiva

 

RIBACÔA

V

Ordem de S.Julião do Pereiro

Fundada c.1156

no Pereiro, perto de Cinco Vilas,

onde já existiria uma ermida de   S.Julião

fundada por um ermitão português Pedro   Amando

 

Doação   de Longroiva à Ordem do Templo em 1145 por D.Fernão Mendes de Bragança e   D.Sancha, irmã de D.Afonso Henriques

 

 

 

Fundada   por D.Suero Fernandez e seu irmão D.Gomez. Fica sujeita ao bispo D.Ordonho,   1º ? bispo da /diocese de Ciudad Rodrigo, em breve criada (1161)/ de   Salamanca

Sg.a   Monarquia Lusitana, t.III, liv.10,   cap.37,   teria sido o ermitão português Pedro Amando,   que tinha lutado na Terra Santa, que os aconselhou a levantar uma fortaleza   no Pereiro

Ordem   confirmada por Lúcio III em 1183

 

 

1148

8 Set.   bula de Eugénio III confirmando ao arcebispo de Braga D.João Peculiar a posse de várias terras, entre as quais o território de Trancoso.

1155

o castelo de Trancoso que entretanto regressara ao domínio cristão (vide 1131) é cercado na última incursão almóada a norte da Guarda[9]

1156

os cavaleiros salamantinos, D. Suero e D. Gomez Fernandez, irmãos, empenhados na luta contra os mouros da fronteira procuraram fixar-se numa zona agreste, perto do rio Côa, entre Trancoso e Ciudad Rodrigo, chamado Pereiro, por ser muito rico em pereiras. Ali havia uma ermida dedicada a São Julião e nela vivia um ermitão chamado Pedro Amando, que tinha participado na conquista da Terra Santa. Aconselhou aqueles cavaleiros a levantarem ali uma fortaleza. Assim fizeram e criaram com outros cavaleiros uma milícia, que chamaram de São Julião do Pereiro. Esta milícia ficou sujeita à Regra de Cister, sob as ordens do Bispo de Salamanca, D.Ordonho. [10]

 

 

BISPOS DE SALAMANCA

1152-1173

Iñigo Navarro 1152-1159  
                    1156   Criação da Ordem do Pereiro sujeita às ordens do Bispo de Salamanca
Ordonho 1159-1164  
                    1161   Criação da Diocese de Ciudad Rodrigo
Gonzalo 1165-1166  
Pedro Suárez de Deza 1166-1173 Depois arcebispo de Santiago de Compostela

 

 

Fernando II

Rei de Leão 1157 – 1188

1154-1173, entre – foral outorgado por D.Afonso Henriques a Trancoso, confirmado por D.Afonso II, mas sem indicação de data     vide 1217, Out.

1157

entre Dez.1157-1169[11] – Foral de Trancoso, segundo o modelo de Salamanca[12];

Foral de Marialva, segundo o modelo de Trancoso[13];

Foral de Moreira, segundo o modelo de Trancoso[14] trata-se de Moreira de Rei, no concelho de Trancoso-

1159 – construção do castelo de Trancoso

 


[1] Vide MÁRIO JORGE BARROCA, Epigrafia Medieval Portuguesa, cit., v.II, t.I, p.34.

[2] PINHO LEAL, PAM, v.IV, 1874, p.44, faz a seguinte interpretação dos nomes das povoações: “Caria, Trancoso, Moreira, Naumam (Numão) Vacinata (Macieira de Font’arcada?), Amindula (Amendoa) Pena do Dono (Penedono), Alcobria (Alcarva) e Sermozelle (Cernancêlhe).

[3]   PMH, Diplomata et Chartae, nº81. Referenciado in HAP, XI, p. 422.

[4] Cfr.PINHO LEAL, PAM, v.IV, 1874, p.45. Vide FRANKLIN

[5] Existem no ANTT dois exemplares:

– a transcrição no registo original da Chancelaria de D.Afonso II (ANTT, maço 12 de Forais Antigos, nº3, f.52v);

– a cópia desse registo. No livro dos Forais Antigos (ANTT, maço 12 de Forais Antigos, nº3, f.37).

Editado in PMH, Leges, I, p.368-370.

[6] Apud RUI PINTO DE AZEVEDO, “Riba Coa sob o domínio de Portugal no Reinado de D.Afonso Henriques. O Mosteiro de Santa Maria de Aguiar de Fundação Portuguesa e não Leonesa”, in Anais da Academia Portuguesa da História, 2ª série, v.12, p.260.

[7] ANTT, documento procedente do Convento de Cristo. Publicado in MARQUIS D’ALBON, Cartulaire Général de l’Ordre du Temple, nº CCCLIX, Paris, 1913. Bibl.: L.GONZAGA DE AZEVEDO, H.P., ,v-IV, e HAPP, t.XI, p.422.

[8] J.S.R-VITERBO, Elucidário… , 1798-99, v.II, p.587.

[9] Cfr.ADRANO VASCO RODRIGUES, “Warda, Uarda, Guarda: As Raízes, Praça Velha, Ano II,1999, nº5, 1.ª série, p.9.

[10] Cfr.M. VILLAR Y MACIAS, História de Salamanca, livro II. Citado in ADRIANO VASCO RODRIGUES, “Riba Côa, Berço da Ordem de São Julião do Pereiro” in A Beira Côa, História, Arte e Património

 

[11] Para esta datação vide RUI PINTO DE AZEVEDO, DMP – DR, v.I, t.II, nota LIV, p.755;

[12] ANTT, Forais Antigos, m.VII, nº1. Publicado in RUI PINTO DE AZEVEDO, DMP – DR, v.I, t.I, p.325-328, doc.263.

[13] ANTT, Forais Antigos, m.VII, nº1. Publicado in RUI PINTO DE AZEVEDO, DMP – DR, v.I, t.I, p.328-330, doc.264.

[14] ANTT, Reg.Afonso II, f.10v. Publicado in RUI PINTO DE AZEVEDO, DMP – DR, v.I, t.I, p.337-339, doc.267.

ANAIS DA BEIRA CÔA

FERNANDO LARCHER

ANAIS DA BEIRA CÔA

Instituto Histórico da Beira Côa

2013

INTRODUÇÃO

TIT.I. A BEIRA CÔA, DAS ORIGENS DA PRESENÇA HUMANA À RECONQUISTA

TIT.II. A BEIRA CÔA DO INÍCIO DA RECONQUISTA À DEFINITIVA INTEGRAÇÃO EM PORTUGAL (Séc.X – 1297)

TIT.III. A BEIRA CÔA INTEGRALMENTE PORTUGUESA (post 1297)

TÍTULO I

A BEIRA CÔA

DAS ORIGENS DA PRESENÇA HUMANA À RECONQUISTA

Cap.I. A Beira Côa, no Período Pré-Romano (até ao séc.I a.C.)

Cap.II. O Período Romano (29 a.C. – séc.V)

Cap.III. O Período Bárbaro: Alanos, Suevos e Visidodos (c.411/413 – post 711)

Cap.IV. A Ocupação Muçulmana (post 711 – sécs.X/XI)

 

 

 

 

A BEIRA CÔA DO INÍCIO DA RECONQUISTA

À DEFINITIVA INTEGRAÇÃO DE RIBA CÔA EM PORTUGAL

Séc.X – 1297

 

 

 

 

Introdução ao Período

Cap.I. A Beira Côa do Início da Reconquista Leonesa à Criação do Condado Portucalense (séc.X – fim do séc.XI)

Cap.II. Depois da Criação do Condado Portucalense: (fim do séc.XII-c.1161)

Cap.III. A Beira Côa sob o Indiscutível Domínio Leonês (c.1161-1297)