FERNANDO LARCHER / A FORTALEZA DE SÃO JORGE DA MINA SOB A JURISDIÇÃO DA ORDEM DE CRISTO1482-1514

FERNANDO LARCHER

A

 FORTALEZA DE S.JORGE DA MINA

SOB A JURISDIÇÃO ESPIRITUAL

DA ORDEM DE CRISTO

1482 -1514

Através da Cronologia

AS DETERMINAÇÕES SOBRE A EVANGELIZAÇÃO

ANTECEDENTES DA DESCOBERTA DA MINA

 

Nov.1469-Jan.1471

D.Afonso V

1438-1481

Paulo II

Ago.1464-Jul.1471

                1468, Jun./1469, Nov.[1] – D.Afonso V arrenda a Fernão Gomes, por cinco anos, o exclusivo do comércio da Guiné, exceptuando o castelo de Arguim e a zona reservada aos habitantes do arquipélago de Cabo Verde, mediante a renda anual de 200000 reais, “com condição que em cada um destes cinco anos fosse obrigado a descobrir pela costa em diante cem léguas, de maneira que no cabo do seu arrendamento desse quinhentas léguas descobertas.”

 

 

 

 

DA DESCOBERTA À CONSTRUÇÃO DA FORTALEZA

 

Jan.1471-Jan.1482

1471, Jan. – João de Santarém e Pêro de Escobar, cavaleiros da casa de el-rei, e capitães do arrendatário Fernão Gomes,  sendo pilotos Martim Fernandes e Álvaro Esteves, descobrem toda a Costa da Mina em 1471[2]

O primeiro resgate que se faz nesta costa é em Sâmá e o segundo na Aldeia de Duas Partes, onde se viria a construir a fortaleza de S.Jorge da Mina[3]

Xisto IV

Ago.1471-Ago.1484

1471, 21 Dez.- João de Santarém e Pêro de Escobar descobrem a ilha de S.Tomé

1474, 29 de Ago. – D.Afonso V concede armas novas a Fernão Gomes e o apelido de Mina, em memória do descobrimento dela.[4]

1474 – D.Afonso V confia o governo da Mina a seu filho D.João

1475 – Armou-se na Flandres um navio de flamengos, com um piloto castelhano que foi resgatar à Mina, mas no regresso acabou por naufragar, comendo os negros 35 flamengos.[5]

A Mina entre as pretensões portuguesas e castelhanas

1475-1479[6]

                1475, 19 Ago. – Isabel a Católica reivindica os seus direitos sobre a Guiné e o de autorizar os seus súbditos a ir aí traficar

1476 – uma frota castelhana com mais de 25 caravelas, sob o comando de Carlos de Valera, procura atacar de surpresa uma frota portuguesa enviada por Fernão Gomes

1478, 4 Mar. – cartas patentes de Isabel a Católica autorizando os marinheiros de Palos e doe outras vilas , predominantemente da Andaluzia, a comercializar livremente com a Costa da Mina

1478 – os castelhanos mandam uma frota de 35 navios à Mina, mas esta é aprisionada pela armada portuguesa comendada por Jorge Correia e Mem Palha

1479, 17 Fev. – Carta dos reis de Castela determinando a proibição de ir à Mina e Guiné, sem prévia autorização sua, sob pena de confiscação dos bens[7]

1479, 4 Set. – Pelo Tratado de Alcáçovas os reis católicos reconhecem o monopólio português na comércio da Guiné

1479-1480 – o mercador flamengo Eustache de la Fosse, partindo de Sevilha, vai traficar nas costas da Malagueta e da Mina do Ouro e nomeadamente na Aldeia das Duas Partes onde é aprisionado por 4 navios portuguesas, sendo ele e os seus companheiros aprionado e conduzido a Portugal donde consegue fugir. Escreverá sobre a sua aventura Voyage à la côte occidentale d’Afrique (1479-1480) [8], onde se encontram as primeiras informações sobre o comércio e os povos destas regiões..

1480, Jan. – duas caravelas portuguesas vão da Aldeia das Duas Partes até ao Rio dos escravos (na actual Nigéria) donde regressam com 400 escravos que na maioria são trocados por ouro.

1481, 4 Maio – D.Afonso V, por carta datada de Torres Novas, confirma a doação a seu filho D.João do comércio da Guiné como das terras posteriormente descobertas[9]

1481 – Sg. o Padre franciscano Lemmens uma lápide com esta data comemoraria uma igreja franciscana em honra de S.to António edificada em Elmina.[10]

D.João II

1481-1495

                (D.João II também constrói a fortaleza de Arguim. A Mina completa Arguim)

1481 – Depois de ter ouvido pareceres díspares em Conselho para o efeito reunido, D.João decide construir uma fortaleza na Mina para salvaguardar o comércio e a presença portuguesa no Golfo da Guiné

1481, 21 Jun. – Pela bula Aeterni Regis, Sixto IV ratifica as cláusulas da partilha estabelecidas pelo tratado de Alcáçova (vide 1479, 4 Set.) e reafirma os direitos de conquista exclusivos reconhecidos a Portugal pelas bulas Romanus Pontifex e Inter Coetera respectivamente de 1455 e 1456

1481, 11 Set. – Breve de Sisto IV, de  concessão de indulgência plenária a todos os que morrerem no Castelo da Mina[11]

1481, 12 Dez. – Uma frota, constituída por 10 caravelas, 2 urcas e outros navios pequenos, comandada por Diogo da Azambuja[12] e transportando 500 soldados e 100 mestres de construção deixa Lisboa. Mais carregava a frota “pedra, cal, telha, madeira, pregadura, ferramentas, e mantimentos.” Levava por Regimento “que a fortaleza se edificasse na Terra da Mina, no lugar que lhe melhor parecesse do Cabo das Tres Puntas atee o Cabo das Redes.”[13]

OS TEMPOS DA FORTALEZA PORTUGUESA DE

S.JORGE DA MINA

 

Jan.1482-Ago.1637

 

(155 anos)

A Construção da Fortaleza

1482

1482, 1/19[14] Jan. – A frota chega à Aldeia de Duas Partes, assim designada por situada nas duas margens da foz do pequeno rio Benya. O rio constitui aliás a fronteira de dois reinos locais: na margem direita Comane ou Eguafo[15] e na margem esquerda Fetu , Efutu ou Afutu[16].

Aí, Diogo de Azambuja solicita uma reunião com o rei de Eguafo, Caramansa (termo que em mandinga significa vice-rei), possivelmente Nana Kwamena Ansah I[17], que se virá a realizar na Aldeia das Duas Partes. Nesta, não sem alguma dificuldade, após um diálogo de que João de Barros dá conta, alcança o assentimento para lançar o fundamento dum castelo, primeiro edifício que naquela região se constrói.

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A ZONA CIRCUNDANTE DE S.JORGE DA MINA:

Os Reinos de Fetu e de Guafo

A Aldeia de Duas Partes

A laguna, a foz do Rio e o Mar

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1482, 20 Jan.- Sg.Barros é celebrada a “primeira” Missa na Mina.

1482, 21 Jan. – Inicia-se a construção da fortaleza[18], sobre um maciço rochoso, numa península delimitada pelo mar, pelo rio Benya e pela sua laguna, com boas condições de ancoradouro e com água potável. Por vontade régia chama-se S.Jorge da Mina, em sítio localmente conhecido como Anomee ou Anomansa. É seu construtor Luís Afonso, mestre de obras (vide 1482, 29 Jun.).

Logo que a construção se iniciou os indígenas atacaram os portugueses, ao que parece porque os rochedos onde esta se localizava eram considerados como divindades do reino. Diogo da Azambuja resolve o problema com ofertas feitas ao rei e aos seus dignatários.

Durante a construção, Diogo de Azambuja mandou queimar a aldeia dos Negros, como punição pelos “furtos e maldades” destes

1482, segunda semana de Fev. – A fortaleza em construção tem já uma forte capacidade defensiva

1482 – Acabada a fortaleza regressa grande parte da expedição a Portugal, ficando Diogo de Azambuja com sessenta homens como tinha sido determinado pelo regimento régio. Os mortos são sepultados junto à árvore em que se disse a primeira missa, que ficou em adro da Igreja do orago de São Jorge.

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FORTALEZA DE S.JORGE DA MINA NO TEMPO DOS PORTUGUESES[19]

REPRODUZIDO DE DAPPER, Description de l’Afrique, 1686

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Construída a fortaleza

Diogo da Azambuja permanece como seu primeiro Governador

1482-1484

1482, 29 Jun. – D.João II concede a Luís Afonso a tença anual de 3:000 reais pelo serviço que dele recebera na construção de S.Jorge da Mina.[20]

1484 – Depois de dois anos e sete meses, Diogo da Azambuja acaba o seu governo da Mina e regressa a Portugal. Sucede-lhe Álvaro Vaz Pestana

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                                                                                                                             REINO DE FETU**

Aldeia

R i o   B e n y a

REINO DE                  das Duas Partes

GUAFO*

FORTALEZA

DE S.JORGE

AS 3 COMUNIDADES NA MINA:

–          a do Castelo de S.Jorge

–          a da Aldeia satélite das Duas Partes

–          a dos Reinos Vizinhos

–          A QUE HÁ QUE ACRESCENTAR AS COMUNIDADES PERIFÉRICAS DE:

–          Axim ou Axém (a     Km.)

–          a de Shama (a     Km.)

* O rei reside na montanha a cerca de 15 Km a nordeste de S.Jorge. A capital é conhecida pelos europeus por Comando e na língua local Gualfo ou Eguafo  portugueses

** Capital do reino de cerca de 20 Km a norte de Oguua (hoje Cape Coast, no Cabo Corço)

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Inocêncio VIII

Ago.1484-Jul.1492

1485, 17 Mar. – Carta de mercê, outorgada por D.João II em Beja, do acrescentamento de um castelo no escudo das suas armas, concedido a Diogo de Azambuja em recompensa dos seus grandes serviços ao Rei e ao reino, nas guerras passadas e na construção, do castelo de S.Jorge da Mina[21]

1485 – D.João II passa a intitular-se Senhor da Guiné

1485 – João Afonso de Aveiro sobe pela primeira vez pelo Níger entrando em contacto com o reino Yoruba do Benin, o maior dos reinos que até contactam

1486, 15 Mar. – Elevação de S.Jorge da Mina a cidade

1486 – eventualmente nesta data terá sido criada a feitoria de Axim

1490, 18 Jun. – Carta de perdão a João Prestes, criado de Fernão Martins Mascarenhas, capitão e do Conselho do Rei, que fugira da prisão, onde estava por ter resgatado mercadorias proibidas na Mina[22]

1490, 28 Ago. – Carta de perdão a Duarte Farto, escudeiro, que fugira da prisão, a que estava condenado por coisas da Mina. O perdão é concedido na condição de o réu regularizar as coisas que o levaram à prisão[23]

1491, 3 Abr., domingo de Páscoa – foi baptizado Manisonho e o seu filho, e terá sido celebrada a primeira missa da embaixada de Rui de Sousa, no Zaire, por Fr.João, ministro dos franciscanos, sg.Antonio Brásio[24], baseado em Rui de Pina

Alexandre VI

Ago.1492-Ago.1503

1493, 20 Maio – Carta de poder e autoridade dada pelos reis de Castela e Aragão a Cristóvão Colombo para ir às Índias (Ocidentais). Ordenam que ninguém vá à Mina nem ao seu trato, por estar assentado ser do rei de Portugal[25]

1493, 21 Nov. – Carta de privilégios e isenções a Álvaro de Caminho, capitão da ilha de S.Tomé, e a seus moradores. […] ; autorização para trocar produtos da ilha por ouro, em S.Jorge da Mina[26]

1493, 11 Dez.- Carta de licença aos moradores povoadores da ilha de S.Tomé para resgatarem pimenta, escravos e outras mercadorias, desde o Rio Real e ilha de Fernando Pó até ao Manicongo. Estabelece os preços de venda ao feitor de S.Jorge da Mina daquelas mercadorias e do açúcar[27]

Tratado de Tordesilhas, delimitando por uma linha traçada de pólo a pólo,

370 léguas a ocidente das ilhas de Cabo Verde,

 a área das conquistas e resgates dos dois reinos[28]

7 Jun.1494

Tratado de Tordesilhas, sobre a navegação e pescarias entre o cabo Bojador e o Rio do Ouro

 e deste para o sul e sobre a delimitação da conquista do reino de Fez[29]

7 Jun.1494

                1494, 11 Out.- Mandado a Pero Lopes, almoxarife dos fornos de vale do Zebro, para que entregue a João Rodrigues Pouco-Pão, mestre-piloto da caravela S.Gião, que vai à Gâmbia, 150 quintais de biscoito para o almoxarife de Cabo Verde para abastecimento das caravelas que vão à Mina e Guiné[30]

1494, 20 Dez.- Carta de vizinhança a Lopo Soares, fidalgo da Casa Real, que ia por capitão para S.Jorge da Mina, para poder ficar vizinho da cidade de Lisboa com todas as prerrogativas a isso inerentes[31]

1495, 29 Set.- Testamento de D.João II. Entre as disposições, determina que, enquanto não houver o rendimento das terras de pão que manda comprar em Lisboa para dar, anualmente, 170 justos de ouro ao hospital de Todos-os-Santos, esse dinheiro seja pago da renda de S.Jorge da Mina[32]

D.Manuel I

Out.1495-Dez.1521

                1495, 29 Out.- Mandado dos reis de Castela ao corregedor de Cádis e ao governador da ilha da Grã Canária para que prendam certos castelhanos e um português que armaram uma caravela para ir à costa da Guiné onde roubaram, mataram e cativaram muitos negros e sequestrem os seus bens e os enviem a Portugal para aí serem julgados logo que o rei português o pedir[33]

1495, 29 Out.- Mandado dos reis de Castela e Aragão às justiças de seus reinos para que mandem prender, sequestrar os bens e enviar a Portugal o piloto português João Dias que, juntamente com os franceses, roubara uma caravela real que vinha da Mina, se o rei de Portugal assim o pedir[34]

1496, 12 Maio – Carta de confirmação de mercê de padrão de tença dada a D.Violante da Cunha de 6000 reais, os quais eram retirados da tença de 30 000 reais de D.Fernão Martins Mascarenhas, a seu pedido, pagos por Fernão Lourenço, tesoureiro e feitor da Casa da Mina, da vintena de ouro que vem da Guiné[35]

1496, 14 Maio – Carta de confirmação do alvará a Afonso Álvares, cavaleiro, a conceder-lhe o cargo de juiz dos feitos e superintendente dos resgates de Mina e das partes da Guiné, com as mesmas prerogativas que tivera Brás Afonso[36]

1496, 21 Jun.- Carta de mercê a Afonso de Bobadilha, fidalgo, que foi capitão em S.Jorge da Mina, da tença anual de 40 000 reais brancos[37]

1497, 8 Jul. – Saída da frota comandada por Vasco da Gama com o objectivo de chegar à Índia. Na frota iam 148 homens, dentre os quais Bartolomeu Dias, que ficariam em Cabo Verde com destino à Mina

1497, 15 Set.- Carta de confirmação de vizinhança a Lopo Soares[38], fidalgo da Casa Real, que ia por capitão para S.Jorge da Mina, para poder ficar vizinho da cidade de Lisboa, com todas as prerogativas a isso inerentes[39]

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Lopo Soares

Nomeado para a Mina em 20 Dez.1494

Diogo Lopes de Sequeira

Nomeado para a Mina em Dez.1503

CAPITÃES DA MINA QUE VIRIAM A SER ENCARREGADOS DO GOVERNO DA ÍNDIA

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                1499, 18 Jan.- D.Manuel declara que o trato da Guiné e Mina seriam sempre dependência de Portugal e o ouro da Mina seria sempre lavrado nas casas da moeda portuguesas[40]

1499, 28 Fev.- Carta de doação ao mosteiro de Santa Maria de Belém do padrão de 176 000 reais brancos de tença, valor da vintena das taxas da cidade de S.Jorge da Mina[41]

1499, 13 Mar.- Carta de mercê a Pero Barroso, escudeiro, do ofício de guarda das caravelas que vêm das partes da Guiné e cidade de S.Jorge da Mina, ofício que já exercia[42]

1499, 14 Mar.- Carta de mercê a André Cubelos, escudeiro, do ofício de guarda das caravelas que vêm da Guiné e da cidade de S.Jorge da Mina, ofício que já exercia[43]

1499, 20 Abr.- Carta de alforria dada pelo Rei a Beatriz Gomes, escrava, pelos bons serviços prestados em S.Jorge da Mina[44]

1499, 12 Jul. – Manifesto do ouro, escravos e mantimentos recebidos e dispendidos de Set.1495 ao fim de Junho de 1499 pelos capitão cessante Lopo Soares, alcaide-mór Gonçalo Roiz de Sequeira, físico mestre Jerónimo, feitor Gil Matoso, escrivães da receita e da feitoria, calafates, criados e vários moradores da cidade de S.Jorge da Mina, antes da sua partida para o reino[45]

1499, Jul.- dá-se notícia da visita dom embaixadores do reino do Benin às autoridades portuguesas da fortaleza de S.Jorge da Mina

1499, 23 Ago. – Breve de Alexandre VI concedendo a D.Manuel o direito de padroado nas partes de África[46]

1501, 28 Set. – Carta de D.Manuel a ordenar ao feitor e scrivães que na cidade de S.Jorge da Mina se celebrem os sufrágios prescritos pelo infante D.Henrique no seu testamento: dissessem cada Sábado uma missa de Nossa Senhora, com a comemoração do Espírito Santo e a oração de “fydelyum Deus”. “E amtes de emtrar aa mjsa se virasse pera o poboo e lhe roguasse pello amor de Deus, que dyssessem hum pater noster pella sua almaa e por os da dita hordem e por aquelles que erra tehudo e obriguado a roguar a Deus. E que o dito Capellam ou viguairo ouuesse cadanno por seu trabalho hu~u marco de parta (sic) em Parta (sic), paagua pella renda da vimtena que ele deu aa dita hordem.”[47]

1501, 11 Out. – Pública forma em que foram transcritas as 4 cartas de D.Manuel, entre as quais a de 28 Set.supra cit.

1503 – É erecta uma capela de Santiago próxima da fortaleza

1503 – (No Dic.de Hist.dos Descobrimentos, v.I, p.105, vox Axem (ou Axim), Fortaleza de refere-se a construção em finais do séc.XV) – é mandada construir por D.Manuel,  a oeste do cabo das Três Pontas, a 180 Km de S.Jorge da Mina, uma fortaleza em Axem ou Axim, a que os nativos também chamavam Essim.[48] Iniciada a preparação para a construção desta fortaleza neste ano[49], só será acabada em 1508. Em 18 de Agosto já Diogo e Alvarenga escreve ao rei (vide infra) para que para lá envie um clérigo pois morem lá os homens sem confissão. É a referência mais antiga que encontrei a Axém.

1503, 17 Maio – Breve de Alexandre VI a D.Manuel[50] confirmando o teor do testamento do Infante e pedindo a todos os padres, reitores das igrejas em África, “em nome da santa obediência e sob pena de excomunhão” de o cumprir sem invocar nenhum impedimento.

1503, 24/25 Jul. – O vigário e Diogo de Alvarenga são enviados pelo capitão ao Rei de Afuto, Sasaxy, para o baptizarem. Com ele recebem, na véspera do dia de Santiago, o baptismo seis cavaleiros, os principais do lugar.

No dia de Santiago, aquele Rei, pela manhã mandou fazer na praça uma casa de oração em que lhe dissessem missa, que seria deginada por ermida de Santiago de Afuto, e depois o vigário baptizou todos os principais, cerca de 300, e duas mulheres e um filho do rei. E depois quizeram receber o baptismo mais de 1000 pessoas.

Na carta a D.Manuel em que estes factos refere[51], Diogo de Alvarenga pede mais um clérigo para a nova capela e um clérigo para Axem.

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Antecedentes da cerimónia: acordos, catequese…: desconhecidos

Enviados pelo Capitão: Vigário (quem é?) e Diogo de Alvarenga

Baptizados:

24 Jul.: Rei de Fetu e 6 cavaleiros

25 Jul.: 300 notáveis; 2 mulheres e 1 filho do rei; 1000 pessoas, adultos e crianças

BAPTIZADO DO REI DE FETU

24 Julho 1505

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                1503, 18 Ago. – Carta, supra referida (24/25 Jul.), de Diogo de Alvarenga a D.Manuel, datada de S.Jorge da Mina, em que descreve os acontecimentos de 24/25 de Julho e em que fala na necessidade de prover Axem de um clérigo.[52]

Júlio II

Nov.1503-Fev.1513

1503, Dez. – Diogo Lopes de Sequeira é nomeado capitão da Mina

1503, 22 Dez. – Carta do capitão da Mina, Diogo Lopes de Sequeira a D.Manuel em que afirma:

“E quãto hé Senhor açerca dhua carta que me vosa Senorja escreueo açerca de mãdar h~u crelleguo [a] Ax~e, djgo Senhor que nõ hé neçesaryo n~e vosso servjço.”[53]

1504, 20 Ago.- 1507, 10 Jan. – Estevão Barradas exerce o ofício de feitor da Mina. Durante este período recebe e vende por conta do rei 440 escravos dos dois sexos

1506, 18 Jan. – Breve de Leão X a D.Diogo Pinheiro concedendo-lhe a faculdade de mandar benzer por seus vigários as vestes sacerdotais e outras vestimentas eclesiásticas, nas partes da Etiópia ou Guiné.[54]  BRÁSIO REFERE-O COMO DE 1506 MAS É EFECTIVAMENTE DE 1516  Vide 1516, 18 Jan.

1506, 13 Jul. – Breve de Júlio III confiando aos bispos de Ceuta e Tânger o cuidado de velarem sobre as necessidades das igrejas do padroado de Portugal e seus domínios ultramarinos[55]

1508 – Terá sido acabada a fortaleza de Axim[56]

1508, 16 Fev.- Em carta referente à actividade de Axim entre 1 de Maio de 1505 e o fim de Setembro de 1506, época do feitor Aires Botelho, figuram entre os haveres quitados os da capela:

“E outras cousas que serv~e na capela da dita feytoria …”[57]

1509 – Regimento das Cazas das Indias e Mina, cap.20º: “Do Almazem, artelharia y armas que ham destar em Sam Jorge”[58]

1510, 2 Set.- Carta de funcionários de São Jorge da Mina ao Rei de Portugal sobre tensões e rivalidades suscitadas em redor do comércio português e de que um comerciante africano, João Serrão, e o rei de Fetu são os principais protagonistas[59]

1510, 2 Set.- Carta de funcionários do capitão de São Jorge da Mina, Manuel de Góis, ao Rei de Portugal sobre tensões e rivalidades suscitadas em redor do comércio português e de que um comerciante africano, João Serrão, e o rei de Fetu são os principais protagonistas[60]

1512 – D.Manuel dá ao seu embaixador ao Congo, Simão da Silva, cavaleiro da OC, um regimento em que ordenava:

“trabalhês de fazer hu~ua booã ygreja ou moesteiro de pedra e call daquella gramdura que vos beem parecer na qual poer~es synos e Restaullos e ornam~etos dos ~q leuaães e lá estam. E por~q leuaaes gysamentos pera b [5] altarees sse vos parecer bem se aleuãtar~e todos b, na ygreja ~q asy fezerdes asy o farês […]”

[…] e aquele que asy nam vyver premdeloês por vertude do Poder ~q leuaes pera yso do vigairo [de Santa Maria do Olival], XXX”[61]

1513?  – primeira embaixada do Rei do Congo ao Vaticano.

Leão X

Mar.1513-Dez.1521

1513, 7 Ago. – bula de Leão X Eximie decotionis a D.Manuel, concedendo o privilégio ao titular da Igreja da Conceição de Lisboa, da Ordem de Cristo, de baptisar, sem catequese anterior, os escravos chegados da Guiné.[62]

1514, 12 Jun. – bula Pro excellenti proeminentia, de Leão X, criando a diocese do Funchal


[1] Sobre estas datas, a segunda das quais indicada por JOÃO DE BARROS, Ásia, Décadas, vide MMA, I, 2ªsérie, p.455 e J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.I, p.46(3)

[2] Cfr.DUARTE PACHECO PEREIRA, Esmeraldo de Situ Orbis. Excerpto transcrito in MMA, 1ªsérie, v.I, p.3, doc.1  e JOÁO DE BARROS, Ásia, Décadas, I, liv.II, cap.II. Transcrito in MMA, 2ª série, v.I, p.436-443, maxime p.438.

[3] JOÁO DE BARROS, Ásia, Décadas, I, liv.II, cap.II. Transcrito in MMA, 2ª série, v.I, p.436-443, maxime p.438.

[4] JOÁO DE BARROS, Ásia, Décadas, I, liv.II, cap.II. Transcrito in MMA, 2ª série, v.I, p.436-443, maxime p.439.

[5] Cfr.DUARTE PACHECO PEREIRA, Esmeraldo de Situ Orbis, liv.2º, cap.3º. Excerto transcrito in MMA, 2ªsérie, v.I, p.667-671, maxime p.669, doc.113

[6] A este respeito vide F.EMBID PEREZ, Los descobrimentos en el Atlantico y la rivalidad castellano-portuguesa hasta el tratado de Tordesilla, Sevilla, 1948

[7] Descob.Port., v.III, p.634-635, doc.380

[8] Vide R.MAUNY, Eustache de la Fosse – Voyage à la côte occidentale d’Afrique (1479-1480) in Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, nº14, Bissau, Abril 1949, p.181-195

[9] ANTT, Chancelaria de D.Afonso V, liv.26, f.102v. Transcrito in MMA, v.IV, p.12-15, doc.5.

[10] Consta da Revista Illustrata della Esposizione Missionaria Vaticana, Ano II, 1925, nº10, p.303: “Nell’Africa occidentale si trovano i Francescani portoghesi già fin dal secondo XV e ne fa testimonianza all’Esposizione Vaticana la lapide di una chiesa da loro edificata nel 1481 in onore di S.Antonio in Elmina sulla Costa d’Oro.” Esta afirmação entre em contradição com a de Barros de que a primeira missa na Mina se celebra em 20 de Janeiro de 1482. Seria que os franciscanos estavam noutro local da costa da Mina? A lápide referida pelo padre Lemmens não foi fotografada e o Padre Brásio quando a tentou localizar não o conseguiu. Cfr. ANTONIO BRÁSIO, História e Missiologia, Luanda, 1973, p.200(13).

[11] MMA, v.I, p.7, doc.2

[12] A seu respeito, L.CORDEIRO, Diogo da Azambuja, Questões, Lisboa, 1936, v.II, p.93-s. e Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 1892, p.5-s.

[13] Apud RUI DE PINA, Chroniqua del Rey Dom Joham II, Coimbra, 1950, p.8

[14] DUARTE PACHECO PEREIRA, Esmeraldo de Situ Orbis indica a data de 1 e BARROS indica a de 11 de Janeiro.

[15] Sobre este reino J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, cit., v.I, p.90-98

[16] Sobre este reino J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, cit., v.I, p.98-99

[17] A este respeito, J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, cit., v.I, p.59

[18] Sobre a construção vide  GARCIA DE RESENDE, Crónica de D.João II, Cap.XXV “De como el Rei mandou fazer o Castelo da cidade de S.Jorge na Mina”; RUI DE PINA, Chronica d’El Rey D.Ioham, Ed.Acad. Real das Ciências de Lisboa, Cap.II, p.7-8, transcrito in MMA, v.I, p.8-14, doc.3; e DUARTE PACHECO PEREIRA, Esmeraldo de Situ Orbus, p.645-648, e JOÃO DE BARROS, Ásia, décda I, liv.III, transcrito in MMA, v.I, p.18-29, doc.5.

[19] Para a iconografia de S.Jorge da Mina:

a) na cartografia:

b) gravuras:

– magnífica gravura de 1686, de DAPPER – Description de l’Afrique, 1686, reproduzida in LUÍS DE ALBUQUERQUE, Portugal no Mundo, v.III, p.74-75 e in MMA, v.II, entre p.72 e 73.

c) publicação de fotografias:

–  J.BATO’ORA, São Jorge da Mina, cit., t.II, p.492/493

[20] Cartas régias de 29 Jun.e 2 Dez.1482 publicadas por SOUSA VITERBO, Dicionário dos Architectos,…, v.I, p.489, nº389 e v.II, p.297, nº761

[21] ANTT, Místicos, liv.3, f.241-242. Transcrito in MMA, v.I, p.49, doc.12

[22] ANTT, Chanc.D.João II, liv.13, f.90v. Transcrito in PMA, v.II, p.50-51, doc.26

[23] ANTT, Chanc.D.João II, liv.16, f.65. Transcrito in PMA, v.II, p.57, doc.31

[24] ANTONIO BRÁSIO, História e Missiologia, Luanda, 1973, p.205.

[25] Transcrito in MARTIN FERNANDEZ NAVARRETE, Coleccion de los viages y descubrimientos, que hicieron por mar los españoles desde fines del siglo XV, com varios documentos inéditos concernientes á la historia de la marina castellana y de los establecimentos españoles en Indias. 1825-1837, Madrid, v.III, p.483-484 e in PMA, v.II, p.105-106, doc.60

[26] ANTT, Ilhas, f.106-107v. Transcrito in PMA, v.II, p.127-129, doc.76

[27] ANTT, Ilhas, f.105v.106. Transcrito in PMA, v.II, p.135-136, doc.81

[28] Inserto na carta de ratificação de 2 de Julho de 1494. ANTT, Gav.XVII, 2-24. Orig.castelhano. Transcrito in As Gavetas da Torre do Tombo, v.VI, p.648-660, in SILVA MARQUES, v.III, p.441-446, e in PMA, v.II, p.142-154, doc.85

[29] Inserto na carta de ratificação de 2 de Julho de 1494. ANTT, Gav.XVII, 4-17. Orig.castelhano. Transcrito in As Gavetas da Torre do Tombo, v.VII, p.90-102, in SILVA MARQUES, v.III, p.446-453, e in PMA, v.II, p.155-167, doc.86

[30] ANTT, C.C., I, 75-72. Transcrito in PMA, v.II, p.173-174, doc.92

[31] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.28, f.98. Transcrito in PMA, v.II, p.185, doc.101

[32] ANTT, Gav. XVI, 1-16. Transcrito in As Gavetas da Torre do Tombo, v.VI, p.88-98 e in PMA, v.II, p.205-215, doc.115

[33] Transcrito in MARTIN FERNANDEZ DE NAVARRETE, op.cit., v.III, p.503-505, in SILVA MARQUES, v.III, p.471-472 e in PMA, v.II, p.218-219, doc.117

[34] Transcrito in MARTIN FERNANDEZ DE NAVARRETE, op.cit., v.III, p.505, in SILVA MARQUES, v.III, p.472-473 e in PMA, v.II, p.220, doc.118

[35] ANTT, Chanc.D.Manuel , liv.34, f.71v.-72. Transcrito in PMA, v.II, p.250, doc.144

[36] ANTT, Chanc.D.Manuel , liv.43, f.22. Transcrito in PMA, v.II, p.251, doc.145

[37] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.46, f.58. Transcrito in PMA, v.II, p.257, doc.149

[38] Viria a ser encarregado do governo da Índia

[39] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.28, f.98. Transcrito in PMA, v.II, p.331, doc.192

[40] PMA, v.I, p.388

[41] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.41, f.76v.; Misticos, liv.1, f.298v. Transcrito in PMA, v.II, p.394, doc.230

[42] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.41, f.76v.; Misticos, liv.14, f.19v. Transcrito in PMA, v.II, p.396, doc.232

[43] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.14, f.21-21v. Transcrito in PMA, v.II, p.400, doc.235

[44] ANTT, Chanc.D.Manuel, liv.16, f.45v. Transcrito in PMA, v.II, p.407, doc.239

[45] ANTT, NA 867. Transcrito in J.SILVA MARQUES, Descobrimentos Port.- Docum.para a sua história, v.III, p.520-541, doc.336, in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.493-519, doc.I, dando-o com a data do treslado (23 de Ago.1499), e in PMA, v.II, p.438-472, doc.245

[46] ANTT, Livro Segundo dos Breves dos Sumos Pontífices, f.1-1v. Transcrito in MMA, v.I, p.179, doc.45

[47] ANTT Códice pergamináceo 516, p.53-55. Transcrito in MMA, v.I, p.184-185, doc.49

[48] Sobre esta fortaleza escreve DUARTE PACHECO PEREIRA, Esmeraldo de Situ Orbus, p.165: “Do rio Soeiro à serra de Santa Apolónia são doze léguas e jaz a costa les-suest/e/ e oes-noroest/e/; e passando adiante esta serra com seis léguas verão ~ua fortaleza sobre a costa do mar, que el-Rei Dom Manuel Nosso Senhor mandou fazer, onde se resgatam em cada um ano trinta e quarenta mil dobras de bom ouro e a terra onde está esta fortaleza se chama Axem, e é assaz doentia de febre.”

Vide a descrição que dela é feita num parecer sobre a sua defesa, datado de 1638   MMA, v.VIII, p.408-420, doc.113

[49] Sg.A.W.LAWRENCE,

[50] MMA, v.I, p.188-189

[51] ANTT – CC-I-4-32. Transcrita in MMA, v.I, p.190-193, doc.52

[52] ANTT – CC I-4-32. Transcrita in MMA, v.I, p.190-193, doc.52

[53] ANTT, CC-I-4-42. Transcrito in MMA, v.IV, p.24-27, doc.8

[54]   MMA, v.IV, p.28-29, doc.9.

[55] ANTT – Bulas -36-34. Transcrito in MMA, v.IV, p.30-32, doc.10

[56] Se.A.W.LAWRENCE, op.cit, p.229. Porém, o Esmeraldo refere em 1505-1508 que um castelo ai fora construído por ordem de D.Manuel

[57] ANTT, Chancelaria de D.Manuel I, liv.5, f.20; ANTT, Livro das Ilhas, f.75-75v. Transcrito in MMA, v.IV, p.50-51, doc.13.

[58] In DAMIÃO PERES, Regimento das cazas das Indias e Mina, Manuscrito inedito, Coimbra, 1947, p.25

[59] ANTT, CC, I-9-60. Transcrito in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.520-521, doc.II

[60] ANTT, CC, I-9-61. Transcrito in J.BATO’ORA BALLONG-WEN-MEWUDA, São Jorge da Mina, v.II, p.522-525, doc.III

[61] ANTONIO BRÁSIO, História e Missiologia, p.245. Vide Também a Lembrança das Cousas para o Reino do Manicongo, em que se referem vários objectos litúrgicos, idem, p.263-266

[62] Consulte-se a bula in MMA, v.I, p.275-277

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